Sociedade

Brasileiro em Tempo Integral

 

 

Porque o Brasil partiu “rumo ao hexa”, o povo esqueceu os problemas que cotidianamente o aflige. Vestido de verde e amarelo, foi para as ruas com um grito preso na garganta e cada vez que a bola sacode a rede, sai espontâneo e entusiasta: goooolll!

 

Não é mal que o povo se alegre, que tenha porque se alegrar, que celebre seus heróis e lhes queira bem, geralmente, se jogam bem.

 

O mal é só lembrar que somos brasileiros, de quatro em quatro anos, quando hasteamos nossa bandeira por toda parte e até se chegue a pintar o próprio rosto com tais cores. Que só nesta oportunidade nos reunamos em torno do mesmo objetivo e da mesma esperança.

 

A situação que vivemos é caótica. A classe política, com algumas exceções é claro, dilapida o que é nosso, discursos demagógicos ainda são aplaudidos, dar o peixe ao invés de ensinar a pescar, dar uma cesta básica, ao invés de emprego e salário dignos, ainda é acolhido com agradecimento por quem pensa que isto é que é bondade.

 

A segurança pública é deficitária a toda prova. Vivemos trancados em nossa casa com medo. A natureza é agredida como se todo bem material de que necessitamos não nos viesse dela. Nossos rios cujas águas escasseiam, estão cada vez mais poluídos e a purificação delas requer cada vez melhor e mais sofisticado tratamento. Continuamos empobrecendo.

 

A Organização das Nações Unidas divulgou no dia 16 de junho passado, um relatório do qual consta que um bilhão de pessoas, ou seja, um terço da população urbana do mundo vive em favelas. Alerta que se trata de uma realidade que os governantes não podem e não devem ignorar. Mantendo-se ritmo atual de tudo quanto acontece, não há perspectiva de melhoria.

 

“As favelas respondem por 38% do crescimento urbano mundial, o que elevará o número dos seus habitantes para um bilhão e quatrocentos mil, em 2020”. Só no Brasil, no mesmo ano, os favelados chegarão a 55 milhões, quase um terço da nossa população atual.

 

Não seria triste ser favelado, se a favela fosse apenas um lugar onde moram os que têm menor poder aquisitivo, se dispusessem de coisas que o orçamento doméstico dos seus moradores pudesse comprar. Se não fosse necessário sair dali para trabalhar lá longe, se o salário desse para satisfazer ao menos as necessidades básicas de uma vida, quanto mais de uma família.

 

Favela tem ainda outro nome, periferia. Ambas padecem de falta de escola para a criançada, de assistência sanitária, o esgoto é a céu aberto, as moradias são precárias e indignas da condição e da dignidade humana dos seus moradores.

 

O mercado de trabalho não contempla como convém, quem mora por lá.

 

Tudo aponta para a necessidade de se conter o avanço de favelas e periferias. Uma forma pode ser a dinamização dos assentamentos com criação de programas sócio ambientais que motivem assentados.

 

Como se constata, além do hexa há outros motivos para cultivar nosso sentimento de brasilidade. Ser hexa depende de uns poucos jovens bons de bola, ser feliz e viver num país com menos desigualdades, é tarefa de todos os brasileiros.

 

Pra frente Brasil!!!

 

 

* Marlusse Pestana Daher, Promotora de Justiça, Ex-Dirigente do Centro de Apoio do Meio Ambiente do Ministério Público do ES; membro da Academia Feminina Espírito-santense de Letras, Conselheira da Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de Vitória – ES, Produtora e apresentadora do Programa “Cinco Minutos com Maria” na Rádio América de Vitória – ES; escritora e poetisa, Especialista em Direito Penal e Processual Penal, em Direito Civil e Processual Civil, Mestra em Direitos e Garantias Fundamentais.

 

Como citar e referenciar este artigo:
DAHER, Marlusse Pestana. Brasileiro em Tempo Integral. Florianópolis: Portal Jurídico Investidura, 2009. Disponível em: https://investidura.com.br/artigos/sociedade/brasileiro-em-tempo-integral/ Acesso em: 26 mai. 2024
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