Nelson Oliveira

A Biblioteca do Senado colocou à disposição dos seus usuários 285 livros novos durante o mês de maio. Contando obras que já estavam no acervo da instituição, mas não haviam sido ainda catalogadas, o acréscimo foi de 381 volumes, de acordo com dados fornecidos pela instituição.
No mês, foram adquiridos 455 livros, o que elevou o total do ano a 3.257, mas nem todos os títulos comprados em maio puderam ser preparados para consultas e empréstimos. A perspectiva é de que em junho as aquisições cheguem a 651 volumes.
Conforme a diretora da biblioteca, Helena Celeste Vieira, como o Senado é palco de debates e decisões que mudam os rumos do país, é responsabilidade da instituição ofertar a parlamentares, assessores e servidores, material de pesquisa em volume e qualidade suficientes para a instruir a elaboração de projetos, a apresentação de emendas e a redação de discursos.
Os critérios para a aquisição incluem tanto a necessidade da oferta de novos títulos e temas quanto a reposição de exemplares desgastados e a substituição de edições superadas.
Evidentemente o assunto mais pesquisado pelos usuários é o direito, por se tratar de uma biblioteca parlamentar. além de manuais e compêndios sobre questões há muito discutidas, a Casa demanda estudos sobre temas tipicamente pós-modernos, que mobilizam a sociedade e inspiram propostas de mudanças legais. É o caso da adoção embrionária e da união homoafetiva.
– O parlamento é plural. Aqui se discute de tudo – testemunha Helena Vieira, observando que o público da biblioteca é movido por temas que ganham vulto em determinados momentos.
– Uma onda de crimes praticados por menores de idade imediatamente leva à procura por obras que discutem a maioridade penal – observa a diretora.
Objeto de reclamação de parlamentares, o controle constitucional faz parte igualmente desse contexto, e tem provocado embates entre o Congresso e o Supremo, a quem cabe a tarefa de determinar, quando acionado, a consonância das leis aprovadas pelos parlamentares com a Constituição.
Está justamente na pauta do STF um mandado de segurança impetrado pelo senador Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) contra projeto de lei que altera a legislação partidária. Liminar do ministro Gilmar Mendes sustou a tramitação da matéria, o que motivou a Presidência do Senado e ingressar no Supremo com um recurso visando a preservar as prerrogativas da Casa. Uma das alegações é que a matéria não tinha sido aprovada ainda quando a cautelar interferiu na sua tramitação, podendo derivar da sentença um controle constitucional prévio.
Tamanha preocupação com os conflitos entre os poderes se reflete no perfil de consultas e empréstimos de livros feitos à Biblioteca. O próprio Gilmar Mendes tem um dos livros, Curso de Direito Constitucional, entre os mais procurados – onze retiradas desde o início do ano.
Levantamento feito a pedido da Agência Senado revelou ainda outros títulos muito procurados: Direito Constitucional Descomplicado, de Vicente Paulo e Marcelo Alexandrino, da Editora Método, emprestado 19 vezes e Direito Constitucional esquematizado, de Pedro Lenza, da Saraiva, emprestado em 18 ocasiões.
Vontade da maioria
O interesse pelo tema acabou influenciando a escolha das obras adquiridas pela Biblioteca em maio. Entre os 455 novos volumes incorporados ao acervo está Neo Constitucionalismo e Atividade Jurisdicional, publicado pela Del Rey, que discute o ativismo judicial em vários tópicos.
No primeiro semestre, pelo menos uma centena de títulos sobre a área constitucional aportou nas estantes da biblioteca. Um deles é o Curso de Direito Constitucional Contemporâneo (Saraiva), de Luís Roberto Barroso, cujo nome foi aprovado na quarta-feira (5) pelo Plenário do Senado para uma vaga no Supremo.
A sabatina de Barroso na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) converteu-se num dos dias mais movimentados da Casa neste primeiro semestre. Ao final, a pregação do indicado por Dilma Rousseff em prol de mais harmonia entre os dois poderes, e de “respeito às decisões do Congresso”, levou a manifestações de otimismo quanto à atuação do novo ministro do Supremo. Embora considere a interpretação de leis como a tarefa por excelência do STF e veja a judicialização da política como uma realidade do mundo contemporâneo, Barroso disse entender que o papel de legislar é de quem representa a maioria, no caso o Parlamento.
Agência Senado
(Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Senado
