O presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE), Eduardo Azeredo (PSDB-MG), pediu nesta terça-feira (29) ao ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, que o governo se empenhe pela redução do número de partidários – aproximadamente 60 – do presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, que se encontram na embaixada brasileira em Tegucigalpa.
– Na medida em que se puder instar os adeptos de Zelaya a sairem da embaixada, obteremos mais respaldo e credibilidade – disse Azeredo durante reunião convocada para se debater, com Amorim, a crise política em Honduras.
Durante o debate, o senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) observou que o Brasil não deve, “em nenhuma hipótese, comprar a agenda política de Hugo Chávez”, em uma referência à suposta participação do presidente da Venezuela no plano de retorno de Zelaya a Honduras. Em sua opinião, o movimento que retirou do poder o presidente não poderia ser considerado um “golpe de estado clássico”.
O senador Aloizio Mercadante (PT-SP), no entanto, lembrou que “nenhum país democrático do mundo” reconheceu o novo governo de Honduras. Ele disse ainda que não se devem aceitar o estado de sítio naquele país e as “ameaças e chantagens” em relação à embaixada brasileira.
Já o senador Sérgio Guerra (PSDB-PE) questionou por que não se poderia trazer Zelaya para o Brasil, onde ele estaria “protegido do mesmo jeito”. O senador José Agripino (DEM-RN) observou que a preocupação dos brasileiros não deveria ser com o apoio dos hondurenhos favoráveis a Zelaya ao presidente Luis Inácio Lula da Silva, mas sim a respeito do que “o mundo está pensando da posição brasileira”.
Na opinião do senador Álvaro Dias (PSDB-PR), não existe unanimidade de interpretação a respeito da Constituição de Honduras, que para os opositores de Zelaya teria sido descumprida por ele. O senador recordou comentários publicados pela imprensa, segundo os quais o governo brasileiro teria atuado como “linha auxiliar” de Chávez no episódio.
O senador Inácio Arruda (PCdoB-CE) lamentou que exista dificuldade, por parte de alguns setores, de “chamar os golpistas de golpistas”. O senador Wellington Salgado (PMDB-MG) criticou imagens produzidas na embaixada brasileira, que mostram Zelaya deitado com um chapéu, “como se estivesse fazendo uma siesta“. O senador João Pedro (PT-AM) demonstrou “absoluta confiança” na atuação do governo brasileiro, enquanto o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) pediu a Azeredo que estudasse a possibilidade de enviar um grupo de senadores a Honduras.
O senador Renato Casagrande (PSB-ES) manifestou preocupação com a possibilidade de ataque à embaixada brasileira. E o senador Antonio Carlos Valadares (PSB-SE) considerou “cruel” a expulsão de Zelaya de seu país. O senador Romeu Tuma (PTB-SP) apoiou a aprovação de um novo requerimento, com modificações em relação ao aprovado na semana passada, de repúdio ao cerco à embaixada brasileira.
A senadora Marina Silva (PV-AC) ponderou que o governo brasileiro não poderia ter deixado de acolher o presidente deposto. Ao final da reunião, o senador Heráclito Fortes (DEM-PI) perguntou se haveria um “plano B” para o caso de uma invasão da embaixada brasileira. Em resposta, Amorim informou que o governo brasileiro vem mantendo contatos informais com outros governos em busca de apoio para que nenhuma “ação irrefletida” seja adotada pelo governo “de fato” de Honduras.
Fonte: Senado
