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Livro levanta novas questões sobre a passagem de Saint-Exupéry por Florianópolis

O livro ?Os aviadores franceses, a América do Sul e o Campeche?, do escritor João Carlos Mosimann, lançado nesta quinta-feira (12), no Espaço Cultural Jerônimo Coelho, na Assembleia Legislativa, notabiliza-se por uma ampla pesquisa sobre a história dos aviadores franceses e lança novas questões sobre a presença deles no Brasil, em especial na discussão sobre se o aviador e escritor francês Antoine de Saint-Exupéry esteve ou não em Florianópolis, pelos anos 1929-30.

A obra esclarece dúvidas sobre as lendas, já que a história nunca assume um caráter definitivo. Alguns historiadores afirmam que ele pousou seu avião no Campeche, deliciou-se com a culinária local e estabeleceu vínculos de amizade com os moradores. Outros pesquisadores acreditam tratar-se de uma lenda que foi se propagando com o tempo.

Mosimann enaltece e conta detalhes sobre o trabalho realizado pelos pioneiros aviadores franceses da Aéropostale, mas afirma que não existe qualquer documento que comprove uma ligação mais íntima de Saint-Exupéry com Florianópolis ou com qualquer morador da cidade.

Para escrever o livro, ele realizou pesquisas no Rio de Janeiro, na França e em Buenos Aires, em busca da histórica presença da Aéropostale no Brasil, na Argentina e no Chile, desde os seus primórdios, em 1925, até a suspensão das operações, quando iniciou a Segunda Guerra, em 1939.

Segundo o pesquisador, as duas únicas viagens documentadas de Saint-Exupéry de Buenos Aires ao Rio, com possível escala técnica no Campeche, foram iniciadas e concluídas no mesmo dia. Portanto, ele não teria tempo para fazer amizades na Ilha. Naquela época, os aviões tinham pouca autonomia de voo e as dunas gramadas do Campeche eram um dos pousos das linhas que transportavam correio aéreo na rota Paris-Dacar-Rio-Buenos Aires-Toulouse.

As paradas serviam para revisar e reabastecer as aeronaves e para que os pilotos descansassem. Até aqui, não há discordância entre os pesquisadores. O que Mosimann não acredita, segundo ele, por falta de provas documentais, é que Saint-Exupéry teria pousado por aqui várias vezes e convivido com os moradores locais.

Defensores da vinda de Saint-Exupéry

A PhD em Literatura Comparada Brasil-França e representante da Sucession Saint-Exupéry em Santa Catarina, Mônica Cristina Corrêa, e o francês Bernard Banquei, piloto aposentado da Air France, autor de cinco livros históricos sobre as Linhas Latécoère-Aéropostale, defendem que não há razões, se comparados depoimentos e documentos, para dúvidas a respeito da presença de Saint-Exupéry em Florianópolis:

Mônica Corrêa idealizou o projeto De Saint-Exupéry a Zeperri. Entre outras iniciativas está a realização de um vídeo-documentário sobre a passagem do escritor por Florianópolis, exibido em 2009. O filme mostra o trabalho dos pioneiros pilotos franceses e da relação deles com o Campeche.

O tema é polêmico e mexe com a sensibilidade, principalmente dos manezinhos. Além de piloto arrojado, Exupéry está entre os maiores escritores do mundo. ?O Pequeno Príncipe? foi traduzido em 257 idiomas, vendeu mais de 80 milhões de exemplares, até hoje, e, apesar de ter sido lançado na década de 40, continua na lista dos livros mais vendidos. (Michelle Dias)

Fonte: AL/SC

Como citar e referenciar este artigo:
NOTÍCIAS,. Livro levanta novas questões sobre a passagem de Saint-Exupéry por Florianópolis. Florianópolis: Portal Jurídico Investidura, 2012. Disponível em: https://investidura.com.br/noticias/mpsc/livro-levanta-novas-questoes-sobre-a-passagem-de-saint-exupery-por-florianopolis/ Acesso em: 09 mar. 2026
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