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Cadastro desatualizado atrapalha doação de medula


Telefone e endereço desatualizados no Registro Brasileiro de Doadores Voluntários de Medula Óssea (Redome) constituem a principal dificuldade para consumar a doação de medula óssea no Brasil. Segundo Diná Pinheiro, assistente social do Centro de Hematologia e Hemoterapia de Santa Catarina (Hemosc), o problema atinge cerca de 30% dos cadastrados. ?Precisamos conscientizar os doadores para que se informem detalhadamente antes de se cadastrarem e que comuniquem o Hemosc eventuais mudanças de endereço e de telefone?, informou.

Diná fez um apelo aos doadores para que atualizem seus dados através dos telefones (48) 3251.9711, 9712 e 9713 ou da página www.hemosc.org.br, que possui um link específico para atualização de cadastro. De acordo com ela, é comum acontecer de os exames indicarem compatibilidade e o Hemosc não conseguir localizar o doador. ?Muitas vezes recorremos ao Google para encontrar, mas isso leva muito tempo?, afirmou.

No Brasil há mais de 3 milhões de possíveis doadores inscritos no Redome, sendo que 100 mil deles são catarinenses. Por outro lado, há cerca de 100 doentes no estado esperando uma medula compatível para transplante.

Quem pode se cadastrar

Qualquer pessoa saudável entre 18 e 54 anos pode se inscrever. A inscrição é realizada mediante a verificação da característica genética do doador, através da tipagem sanguínea para HLA. O resultado é lançado no Redome e fica à disposição do país todo.

Somente quando o sistema identifica compatibilidade genética entre o doador e o paciente é que a doação se concretiza. Assim pode acontecer da pessoa ficar de cinco a dez anos cadastrada sem que seja constatada compatibilidade com algum doente. A medula é retirada dos ossos da bacia e se recompõe em 15 dias.

Além disso, gripe, gravidez, tatuagem e piercings recentes, assim como a ingestão de álcool antes de retirar o sangue para a tipagem de HLA, não invalidam a amostra. Apenas aquelas pessoas com doenças crônicas (diabetes, Aids, etc) estão impedidas de doar medula óssea.

Cadastro consciente

Diná Pinheiro enfatizou que o cadastramento é voluntário e não dirigido, isto é, o doador não escolhe o paciente que receberá o implante de medula. A assistente social revelou que é comum a pessoa se cadastrar porque ?fulano de tal? precisa ou porque viu uma reportagem na tevê. Depois, passados vários anos da inscrição, quando o sistema identifica compatibilidade com um doente, a pessoa nem se lembra mais que se cadastrou.

?Tem pessoa cadastrada que na hora de doar responde ?ah, pois é, agora não sei, naquela vez eu me cadastrei porque fulano precisava, não quero mais??, explicou Diná, que recomendou consciência e responsabilidade aos inscritos no Redome.

As doações em Santa Catarina

Santa Catarina, apesar de ter mais de 100 mil doadores cadastrados, não realiza transplante de medula, a não ser no caso de autodoação (o doente doa para si mesmo), cujos procedimentos ocorrem no Hospital Celso Ramos.

Quando a doação é alogênia, isto é, ocorre de uma pessoa para outra, os procedimentos para o transplante acontecem em Curitiba, Porto Alegre ou São Paulo. (Vitor Santos)

Fonte: AL/SC

Como citar e referenciar este artigo:
NOTÍCIAS,. Cadastro desatualizado atrapalha doação de medula. Florianópolis: Portal Jurídico Investidura, 2012. Disponível em: https://investidura.com.br/noticias/mpsc/cadastro-desatualizado-atrapalha-doacao-de-medula/ Acesso em: 10 mar. 2026
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