Esta segunda-feira começa muito mais vazia no Ministério Público do Paraná. Perdemos Danilo de Lima, que deixa nosso convívio para ascender e se transformar em mais uma estrela cintilante a irradiar nosso caminho. Numa constelação de ofuscantes raios de luz, junta-se a outros, alguns deles recém-chegados, como o promotor poeta, Rubens Luiz Sartori, ou o eterno moço de Bela Vista do Paraíso, Carlito Antonio Rupp. Como pranteamos nossos amados, jamais virando a página de nossa história na permanente lembrança de suas trajetórias de honra!
Danilo de Lima é uma dessas pessoas que marca fortemente sua passagem. Somos todos passageiros, de fato. As pessoas passam e a instituição fica. Mas, fica muito mais fortalecida quando alguém faz a diferença em postura ética, em integridade de caráter, em responsabilidade cívica e em coragem política. Exemplo de homem e modelo de promotor de justiça. Uma pessoa do bem. Sempre ao lado da verdade.
Lembram-se seus colegas, desde os idos de 1960, quando iniciavam o curso de Direito, embalados pelos sonhos de liberdade e de justiça que moviam os corações dos jovens de sua geração e, logo em seguida, do ingresso nas fileiras de luta ministerial, o quanto se destacava o jovem Danilo. Viveram momentos de incertezas e fragmentações. Resistiram às opressões que se colocavam nas agendas políticas de então, buscando sair de um tempo em que os encobriam, não raras vezes, as sombras do telhado ditatorial. Não indiferentes às agruras por que passaram aqueles que os antecederam, muitos dos quais sepultados em seus ideais democráticos, buscaram, agora, cultivar o jardim de novas primaveras, que já se projetavam repletas de esperanças. Forjaram-se, assim, profetas de um novo amanhã, e deles todos, Danilo de Lima foi o que mais se apresentou, vivamente impregnado pelos ideais de uma instituição que incorporou como parte de sua própria vida.
Assumiu, assim, consciente, relevantes funções públicas, naquele tempo, denso de princípios de vida e de morte, exercendo-a como ninguém, investindo-se do difícil encargo de discernir, não raras vezes esmagado pela enorme responsabilidade de orientar, esclarecer e difundir, nas oportunidades e com os escassos recursos de que dispunham, ele e seus pares, o alto conteúdo de dignidade do Direito, da Justiça e da profissão a que juraram servir. Jamais renunciou aos princípios morais que regraram seu compromisso no Ministério Público, desde a primeira até a última hora.
E quando faço esta referência a essa sua experiência, já falo um pouco de história, pois, afinal, é ela – história – que nos permite transpor os umbrais do tempo e, daí, transcender do sonho à realidade, superando a utopia da vida, para além do caminho já percorrido, talvez para que, embalados na mitologia envolvente de momentos como o que agora tristemente vivemos – o de nos despedir de Danilo de Lima, porém, com a doce memória de seu belo significado de vida -, num futuro olhar para o terreno que atrás deixamos removido, possamos reconhecer nossos próprios passos, ainda que um tanto apagados por outros de quem foi mais longe e mais fundo (na feliz expressão do Professor lusitano Jorge de Fiqueiredo Dias).
Muito devemos a ele e, ao lhe darmos o pranteado aceno de despedida final, rogamos a Deus, fonte de todo o bem e de toda graça, que o acolha nos céus e o faça, como merecem os justos, espírito de luz.
Procurador-Geral de Justiça
O procurador de Justiça aposentado Danilo de Lima faleceu no fim da tarde de domingo (8), aos 73 anos. Decano do Ministério Público do Paraná por vários anos, aposentou-se compulsoriamente aos 70, trabalhando desde então como voluntário na instituição.
Fonte: Site MP/PR
