AL/RS

Um patrimônio de Caxias do Sul e dos trabalhadores



O prédio da antiga Metalúrgica Abramo Eberle S.A. (Maesa), a história da indústria metalmecânica em Caxias do Sul e de centenas de trabalhadores que passaram por aqueles pavilhões, precisam ser preservados. Não é admissível que a cidade perca este patrimônio histórico, que é um referencial da cultura e da economia caxiense.


Como interlocutora do processo de cedência do prédio da Maesa para o município, tenho defendido que toda a área seja preservada, a rua Vereador Mário Pezzi, aberta, e os prédios preservados e transformados em espaço público. A pedidos dos movimentos sociais e da Comissão Temporária Especial da Câmara de Vereadores, articulei diversos encontros com os representantes do Estado, que é o atual proprietário da área, tomada como pagamento por dívida da Mundial S.A. com o fisco estadual. 


O Estado, por sua vez, já manifestou o interesse em negociar a área com o município. Tanto o secretário da Administração e dos Recursos Humanos, Alessandro Pires Barcellos, que sucedeu à secretária Stela Farias, quanto o procurador Geral do Estado, Carlos Henrique Kaipper, afirmaram a intenção de preservar o patrimônio histórico de forma equilibrada, com a contrapartida do município. Afirmaram até que a negociação pode ser mediada a valores acordados com a Prefeitura.


Estamos aguardando que a Prefeitura apresente proposta e que o relatório de tombamento total ou parcial, encaminhado pelo Conselho Municipal de Patrimônio Histórico e Cultural (Compahc), seja assinado.


O ideal seria que toda a área fosse repassada para o município, mas se isso não é possível, precisamos definir qual será a metodologia de preservação e qual o espaço fundamental. Precisamos que os arquitetos do município, do Estado e do Compahc façam, um estudo técnico. A população quer preservar e fazer daquele um espaço público. Nada mais justo que os movimentos sociais participem da elaboração das diretrizes do projeto.


Defendo que esse espaço seja utilizado pela economia solidária, movimentos sociais, entidades representativas de grupos como os renais crônicos, hipertensos, ostomizados, veículos de comunicação comunitários, mercado público e até um memorial do trabalhador e o museu da metalurgia.


É preciso que o município faça um acordo político com o Compahc para estabelecer qual a área que deve ser tombada e preservada e qual o espaço que pode ser remodelado para abri abrigar as secretarias e órgãos da administração municipal que hoje consomem mensalmente cerca de R$ 500 mil. Em poucos meses, o município recuperaria o investimento com a economia de aluguel. Sem contar que poderia captar recursos de programas do governo federal para a revitalização da área.


O mais importante, contudo, é que, preservando este prédio, preservamos e valorizamos a história de muitas famílias caxienses que, por um motivo ou outro, estão ligadas à Eberle e às empresas que a sucederam. E, para os novos moradores de Caxias, a preservação poderia representar mais um espaço público que ajuda desenvolver a economia e preserva a história. Ou seja, o repasse desse prédio para o município – com a devida contrapartida do município – seria uma conquista para todos os caxienses.


Deixo claro, portanto, que é imprescindível que a Prefeitura tome uma posição e invista na construção, no local, de um espaço administrativo que reúna todas as secretarias que hoje ocupam imóveis locados. Defendo ainda o tombamento do imóvel e a sua transformação em centro cultural e econômico e espaço público para os movimentos sociais, e a abertura da rua.


* Deputada estadual

Fonte: AL/RS

Como citar e referenciar este artigo:
NOTÍCIAS,. Um patrimônio de Caxias do Sul e dos trabalhadores. Florianópolis: Portal Jurídico Investidura, 2013. Disponível em: https://investidura.com.br/noticias/alrs/um-patrimonio-de-caxias-do-sul-e-dos-trabalhadores/ Acesso em: 17 mar. 2026
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