Para mudar essa realidade, um fórum formado por educadores, entidades educacionais e de trabalhadores do campo, representantes da Secretaria Estadual de Educação, do MEC e da Assembleia Legislativa, foi formado. A meta é buscar alternativas ao problema e discutir a criação de um programa aos moldes do Pronacampo (Prograna Nacional de Educação no Campo) para ser apresentado ao Governo do Estado nos próximos 6 meses.
– O modelo de ensino atual não capacita o estudante, não dialoga com a realidade do interior. Pelo contrário, o instiga a buscar os centros urbanos e aumentar o êxodo rural. Por isso se faz necessária uma grade curricular voltada à realidade do campo, além de investimentos em estrutura e novas tecnologias – afirma o coordenador da Subcomissão de Educação no Campo da Assembleia, deputado Altemir Tortelli (PT), propositor do evento. O parlamentar também é autor do Projeto de Lei 297/2011, que institui uma política estadual de permanência através de uma educação voltada aos interesses do campo.
Pronacampo vai investir em estrutura e capacitação de professores
Como explica Zambon, o Pronacampo investirá na capacitação de atuais e novos professores. Atualmente, 46% dos 160 mil professores do meio rural não possuem formação superior. Já muitos dos formados não tem qualificação específica para o campo. Além disso, a meta é construir 3 mil novas escolas rurais no Brasil com toda a estrutura necessária, inclusive, com alojamentos quando for trabalhado o modelo de alternância.
– Também será investido na educação de jovens e adultos e educação profissional, além de práticas vinculadas à agroecologia e distribuição de livros didáticos com conteúdos específicos – destaca o coordenador.
Pedagogia da alternância como modelo
O modelo conhecido como pedagogia da alternância foi usado como referência na audiência. Nesse modelo os alunos passam por períodos de formação nas escolas alternados com períodos de trabalho na propriedade da família. Conforme relatos de representantes da Agefa (Associação Gaúcha das Escolas Famílias Agrícolas) e Arcafar (Associação Regional das Casas Familiares Rurais), mais de 80% dos alunos que passam por esse tipo de formação continuam no campo, evitando assim, o êxodo rural e contribuindo com o futuro da agricultura familiar e a produção de alimentos. Sobre esse modelo, Zambon afirmou que o MEC está fazendo um cadastramento para que essas entidades possam receber recursos do Pronacampo. Antes, precisarão passar por avaliação e receber certificado via Institutos Federais.
Fonte: AL/RS
