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Metade dos municípios gaúchos nem iniciou elaboração dos Planos de Resíduos Sólidos


Há dois meses do prazo, apenas um terço das prefeituras prevê concluir estudos sobre gestão do lixo

 

Na medida em que se aproxima o prazo para que todos os municípios implantem os seus planos de resíduos sólidos, sob pena de perder o credenciamento a verbas federais, aumenta a preocupação em relação às prefeituras gaúchas que não conseguirão atender as exigências da Lei 12.305. Metade delas sequer iniciou os estudos sobre a gestão do lixo e apontam questões técnicas e o alto custo financeiro como os principais causas a dificultar a conclusão dos projetos até o próximo dia 2 de agosto. É este o panorama que o deputado Giovani Feltes (PMDB) apresentou ao secretário do Gabinete dos Prefeitos e Relações Federativas, Afonso Motta, em audiência realizada na manhã desta quarta-feira (23), para tratar como o RS está encarando o chamado marco regulatório do lixo.

 

Como presidente da Subcomissão dos Planos Municipais de Resíduos Sólidos, Feltes está desenvolvendo um levantamento completo sobre a situação. Das 371 prefeituras consultadas até agora, 178 ainda não iniciaram os estudos técnicos sobre a gestão dos seus resíduos, muito menos agendaram as audiências públicas exigidas pela lei. Em outros 183 municípios, os planos estão em andamento, mas apenas 138 deles acreditam que concluirão a tarefa até o dia 2 de agosto. Dez prefeituras já elaboram seus planos

 

Das cidades consultadas, 54 têm a expectativa de empregar na prática as diretrizes até 2014, data em que a ´Lei do Lixo´ faz outra exigência importante: a completa eliminação dos lixões a céu aberto  A implantação da coleta seletiva do lixo e logística reversa para produtos de alto impacto ambiental (lâmpadas fluorescentes, pilhas e baterias, agrotóxicos e da ramo da informática) também integram as linhas da Polícia Nacional de Resíduos Sólidos

 

Na audiência com o secretário do Gabinete dos Prefeitos, Feltes solicitou ao governo a liberação dos recursos previstos em convênios já assinados com as prefeituras para os Planos de Saneamento, além de disponibilizar o apoio técnico aos municípios por parte da Fepam (Fundação Estadual de Proteção Ambiental). Afonso Motta destacou o levantamento realizado pela Subcomissão e comprometeu-se a buscar alternativas em conjunto para auxiliar os municípios, assim como ampliar o diagnóstico feito pelos deputados. O secretário avalia ainda a acionar as universidades em apoio às prefeituras sem a estrutura técnica para elaborar a gestão dos resíduos.

 

Os deputados Ernani Polo (PP) e Pedro Pereira (PSDB), que integram a Subcomissão, igualmente ressaltaram a importância de apoiar os municípios nesta questão. “Não podemos aceitar que muitos acabem adotando projetos padrão oferecidos por consultorias, mas que não têm relação nenhuma com a realidade”, alertou Polo. Pedro Pereira, por sua vez, observou que as prefeituras terão grande economia no futuro com este investimento: “é uma questão de saúde pública. Todo o dinheiro gasto no saneamento reduz em muito os gastos no tratamento das doenças”.

 

Estado também está atrasado

 

Chefe do Serviço de Resíduos Urbanos da Fepam e gerente do Plano Estadual, Daiene Gomes reconheceu no final do mês passado, durante audiência da Subcomissão em Novo Hamburgo (Feevale), que o governo estadual também não conseguirá atender dentro do prazo as exigências da Lei 12.305. sancionada pelo ex-presidente Lula em 2010. Ela apontou também os obstáculos para acessar os recursos financeiros da União. Os estudos preliminares definiram as premissas do Plano Estadual, ainda sem data para o pontapé inicial, assim como a necessidade de identificar novas áreas para o tratamento dos resíduos.

 

Daiene Gomes divulgou levantamento da Fepam mostrando que 17 municípios (3,4%) ainda mantêm os antigos lixões como destino final dos seus resíduos e alertou para uma situação nova verificada nos últimos dois anos: o crescimento dos aterros controlados (66,53% dos municípios gaúchos), situação em que o lixo é lançado em uma vala mas sem atender as exigências ambientais. Apenas 27,42% dos municípios têm o serviço de aterros sanitários dentro das normas. O Tribunal de Contas do Estado (TCE) notificou os prefeitos ainda no final do ano passado e anuncia que fiscalizará o cumprimento da elaboração dos Planos de Resíduos Sólidos até 2 de agosto.

Fonte: AL/RS

Como citar e referenciar este artigo:
NOTÍCIAS,. Metade dos municípios gaúchos nem iniciou elaboração dos Planos de Resíduos Sólidos. Florianópolis: Portal Jurídico Investidura, 2012. Disponível em: https://investidura.com.br/noticias/alrs/metade-dos-municipios-gauchos-nem-iniciou-elaboracao-dos-planos-de-residuos-solidos/ Acesso em: 18 out. 2026
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