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Esgoto chega, Jeca Tatu sai

Houve uma maldita época no Brasil que investir em saneamento básico era prioridade só nos discursos de campanha eleitoral. Passadas as eleições, os gestores públicos eleitos esqueciam da pauta, influenciados por “conselheiros” sob argumento de que enterrar canos não dava reconhecimento e muito menos votos, já que as obras eram invisíveis à população.


Felizmente a visão apequenada mudou e o saneamento foi colocado em um justo patamar de prioridade na escala dos investimentos públicos. Esse novo status foi garantido por diversos fatores e muito pela pressão social. Todavia, a criação do Ministério das Cidades e depois do Programa de Aceleração do Crescimento no governo do Presidente Lula são marcos indiscutíveis no avanço desta luta. Sem o ministério, com sua forte política pública de atenção ao tema, e sem o PAC provavelmente ainda estaríamos observando o persistir do Brasil do Jeca Tatu, personagem avesso à higiene e desassistido socialmente que foi criado por Monteiro Lobato para caricaturizar o país atrasado do início do século passado.


Estes novos instrumentos políticos e administrativos federais empurraram os estados e os municípios a também investir no setor, que carece de muitos recursos por necessitar de obras complexas. A presidenta Dilma Rousseff deu continuidade a ação de Lula e o saneamento continua priorizado. Até 2014, serão 35 bilhões de investimentos pela União, valor inimaginável em épocas pretéritas onde aplicar recursos públicos em esgoto era quase proibido pelas normas ditadas pelo FMI ao país. O governador Tarso Genro recebeu o Rio Grande com apenas 15% do esgoto gaúcho tratado. Uma mazela para um estado desenvolvido como o nosso. Mas o governador não se preocupou em responsabilizar sucessores ou de choramingar pelo esgoto derramado. Fortaleceu a antes desestruturada Corsan – que em Santa Maria nem superintendência tinha apesar de ter arrecadação das mais altas na cidade – captou recursos e anunciou nesta semana um poderoso plano de investimentos: serão aplicados quase R$ 3 bilhões em saneamento e abastecimento até 2015 através do PAC 1, PAC 2 e até mesmo de recursos próprios do Estado. Com isso, o Rio Grande dobrará o seu volume de esgoto tratado.


Este plano também deverá garantir uma reivindicação de décadas de Santa Maria, que será a implantação da rede de esgoto do bairro Camobi beneficiando toda a região Leste local. A universalização do saneamento e do abastecimento de água é garantia de mais saúde, mais dignidade e até mesmo de mais produtividade no trabalho, como mostrou uma pesquisa da Fundação Getúlio Vargas de 2010. Gradualmente, o Brasil do Jeca Tatu vai sendo apagado e dá lugar a um Brasil rico porque é um Brasil sem pobreza e com saneamento que se impõe a cada dia.


* Deputado estadual e líder do governo Tarso Genro na Assembleia

Fonte: AL/RS

Como citar e referenciar este artigo:
NOTÍCIAS,. Esgoto chega, Jeca Tatu sai. Florianópolis: Portal Jurídico Investidura, 2012. Disponível em: https://investidura.com.br/noticias/alrs/esgoto-chega-jeca-tatu-sai/ Acesso em: 11 out. 2026
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