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Da Nova Santa Marta para Londres

Os Jogos Olímpicos de Londres estão cada vez mais próximos. E em meio a centenas de renomados atletas das mais variadas modalidades e nacionalidades, o humilde e lutador bairro da Nova Santa Marta, na zona oeste de Santa Maria, que um dia foi conhecido de forma preconceituosa como a região dos Sem-Teto, terá uma representante de luxo no maior evento esportivo do planeta. O nome desta embaixadora do bairro e de Santa Maria na capital inglesa não poderia ser mais simbólico: Maria. Maria Portela. Aos 24 anos, Maria conquistou a vaga para as Olimpíadas lutando muito em cima de um tatami, mas mais ainda na vida.

 

Revelada pelo projeto social santa-mariense Mãos Dadas, coordenado pela não menos determinada professora Aglaia Pavani, esta judoca a cada momento evolui na sua trajetória esportiva e dá mostras que não quer apenas participar dos jogos de Londres. No último final de semana, por exemplo, venceu o Grand Slam de Moscou, que em grau de relevância na modalidade só perde para as próprias Olimpíadas e para os Jogos Mundiais. Mas quem vê hoje Maria nos holofotes esportivos de São Paulo, Moscou e Londres não imagina o quanto esta menina caminhou e quantos desafios superou. Se hoje as adversárias se resumem a rivais que vestem quimono, num passado recente os principais adversários da judoca foram a falta de dinheiro e até mesmo de comida. Filha da esforçada empregada doméstica Sirlei, com o pai falecido quando tinha seis anos e com outros três irmãos em casa, Maria cresceu com recursos escassos para as necessidades mais elementares. Ciente das dificuldades e apoiada pela mãe, Maria identificou no esporte uma oportunidade única. Treinava, estudava e ainda trabalhava de babá ao mesmo tempo. Tudo para concretizar o sonho olímpico.

 

Provavelmente, por ser acostumada a derrotar adversidades desde que veio o mundo, ela, quando sobe no tatami, se sente repleta de confiança. Saber que está ganhando a vida através do esporte e não através de meios ilícitos, que tanto perseguem aqueles que nascem e crescem em condições similares a da judoca, é um estímulo a mais que se soma ao talento natural para o esporte. Nesta trajetória, Maria já chegou longe. E pode avançar ainda mais carregando o nome da sua comunidade. Pode ser a primeira atleta santa-mariense a colocar no pescoço uma medalha olímpica. Mas para isso, precisa de apoio. Pela posição conquistada, esta menina, apelidada pelos colegas como a “Raçudinha do Sul”, carece de assessoria em tempo integral, necessita de profissionais especializados por perto. Maria tem o apoio da Confederação, do Comitê Olímpico e do clube que representa, o Sogipa de Porto Alegre. Porém, ainda não tem patrocínio individual como outras atletas olímpicas. E seria muito simbólico e honrado ver uma empresa ou empresas de Santa Maria garantindo este auxílio complementar fundamental para uma conterrânea de família pobre, mas rica em determinação. É justo, é merecido. Se isso ocorrer, as adversárias da categoria até 70 kg nas Olimpíadas de Londres que se preparem para conhecer frente a frente a força da comunidade da Nova Santa Marta também em cima de um tatami.

 

* Deputado estadual (PT) e líder do governo na Assembleia Legislativa

Fonte: AL/RS

Como citar e referenciar este artigo:
NOTÍCIAS,. Da Nova Santa Marta para Londres. Florianópolis: Portal Jurídico Investidura, 2012. Disponível em: https://investidura.com.br/noticias/alrs/da-nova-santa-marta-para-londres/ Acesso em: 22 out. 2026
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