Repórter da Agência Brasil
Curitiba – O diretor administrativo da Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar), Antonio Hallage, negou em entrevista coletiva que as estações de tratamento da empresa lancem esgoto não tratado nos rios paranaenses. A acusação foi feita pela Polícia Federal (PF), que hoje (20) cumpriu 30 mandados de busca e apreensão em unidades da Sanepar localizadas em 19 cidades do estado.
"Podem ocorrer vazamentos, como ocorre em qualquer empresa do mundo. Mas nós tratamos todo o esgoto que recebemos", disse Hallage, que ocupa interinamente o cargo de presidente da Sanepar. "Fomos surpreendidos esta manhã com a ação policial [da PF]. Estamos indignados. A Sanepar não é a responsável pela poluição dos rios do Paraná."
Denominada Operação Iguaçu – Água Grande, a investigação tem o apoio de servidores do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e da Polícia Rodoviária Federal (PRF). Conforme o delegado Rubens Lopes da Silva, da Delegacia de Repressão a Crimes contra o Meio Ambiente da PF, a Sanepar é a maior empresa poluidora dos rios do estado. "Ou ela [Sanepar] não trata o esgoto que coleta, despejando-o de forma clandestina nos rios, ou então ela faz o tratamento de forma inadequada", declarou o delegado, que coordena a investigação.
Antonio Hallage criticou a forma como a PF divulgou a operação e chegou a insinuar um possível uso político da corporação. "Estranhamos a divulgação exagerada e o fato de a operação ter sido realizada mesmo com a greve, e às vésperas da eleição municipal."
Segundo o dirigente da Sanepar, os documentos que a PF apreendeu são de caráter público e poderiam ter sido solicitados "até por e-mail". Embora tenha dito que as estações de tratamento da Sanepar cumpram a legislação, o presidente interino da empresa admitiu que 12 das 227 unidades ainda não têm licença ambiental de funcionamento, o equivalente a 5,3% do total. "As que não têm licença estão com os respectivos pedidos já protocolados." Para a PF, o percentual de estações sem licença é superior a 20%.
Perguntado pela Agência Brasil se a Sanepar pode ter sido autuada em até R$ 80 milhões nos últimos dez anos, como informou a PF, Hallage respondeu que "pode ser", sem entrar em detalhes sobre quantas multas foram pagas ou estão em fase de recurso. Hoje a empresa recebeu mais quatro autuações do Ibama que, juntas, preveem multa diária de R$ 200 mil até que a empresa regularize os problemas apontados nas estações.
Dois diretores da Sanepar prestaram depoimento hoje na sede da Superintendência Regional da Polícia Federal no Paraná, em Curitiba. Ao todo, 30 diretores e gerentes da companhia foram indiciados pela PF. Além da Sanepar, mais 180 empresas serão investigadas por despejar poluentes nos rios do Paraná.
Edição: Aécio Amado
