
Repórter da Agência Brasil
Brasília – A troca de ideias com amigos, vizinhos e parentes ainda é determinante na escolha do candidato às eleições municipais para muitos moradores de cidades da região do Entorno do Distrito Federal. A região compreende 20 municípios de Goiás próximos a Brasília.
Em alguns destes municípios, os moradores preferem dar o voto a pessoas conhecidas em sua comunidade, e recorrem pouco à internet, à televisão e aos jornais para embasar a decisão.
“Eu me informo com conhecidos e também me guio muito pela minha família. Meu irmão tem acesso à internet, mas não usamos para pesquisar sobre política”, disse ela.
Valdivino diz que prefere votar em candidatos que são referência na comunidade. “Escolho pessoas conhecidas, pioneiros”, destaca o despachante.
O estudante Eduardo Carvalho, de 21 anos, mora na Cidade Ocidental, mas tem título de eleitor na vizinha Luziânia, situada a 66 quilômetros de Brasília. Eduardo vai votar este ano em um conhecido de sua família que é candidato a vereador em Luziânia. “Quando os parentes ou amigos conhecem, você tem certa confiança no candidato. Ele já foi eleito uma vez, e acho que fez um bom mandato.”
Estudante da área de informática, Eduardo acessa redes sociais, como o Twitter e o Facebook, e sabe que muitos candidatos têm usado a internet para fazer propaganda. “Acho que as redes vêm sendo usadas mais por eles [candidatos], para marketing, do que pelos eleitores para trocarem ideia.”
“São cidades pequenas, onde todo mundo se conhece. Os moradores votam mais na pessoa do que no partido. Quem tem carisma, pode entrar na política local”, diz Antônio Carlos.
A empresária Nilza Cristina da Silva Araújo, de 43 anos, moradora em Valparaíso, diz que não se envolve com eleições por sentir-se decepcionada com a política. Apesar de viver em Valparaíso há 20 anos, Nilza mantém o título de eleitor no Distrito Federal e diz que costuma anular o voto em época de eleições. "Eu costumava acompanhar noticiários e internet para me decidir, mas acho que, mesmo quando se pesquisa a vida do candidato, não adianta. Depois de eleito, ele se corrompe. Não confio mais."
Residente na Cidade Ocidental, o operador de caixa Aluísio Alves da Silva, de 43 anos, gosta de assistir a debates eleitorais. "A gente vê a capacidade do candidato, a desenvoltura dele. É pena que, nas eleições daqui [Cidade Ocidental] não tenha debate." Aluísio também manifesta desilusão com o cenário político nacional. "Às vezes, você toma todo cuidado para escolher a pessoa certa, e ela decepciona depois."
Edição: Nádia Franco
Fonte: Agência Brasil – Política
