Marcelo Brandão
Repórter da Agência Brasil
Brasília – A diretora regional para a América Latina da Organização Internacional do Trabalho (OIT), Elizabeth Tinoco, avalia que dificilmente a região conseguirá cumprir compromisso assumido na Conferência de Haia, em 2010, de erradicar as piores formas de trabalho infantil até 2016. Para a diretora, os países deverão empreender uma série de esforços em conjunto para conseguir a erradicação até 2022.

Acompanhada do coordenador do Sistema Nações Unidas no Brasil, Jorge Chediek, Elisabeth lançou, na tarde de hoje (8), um grupo de trabalho formado por várias agências ligadas à Organização das Nações Unidas (ONU), como a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), a OIT e o Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas (Pnud).
Esse grupo firmará um compromisso de trabalhar, juntamente com os governos da região, no combate ao trabalho infantil. O início será o mapeamento de experiências bem sucedidas em diversos países, seguido de elaboração de políticas eficazes para combater o problema.
Crianças que trabalham em casa são o primeiro foco do grupo. Para Elisabeth, o trabalho infantil doméstico oferece uma série de riscos, uma vez que não é visível a todos. Dessa forma, não se sabe a quais impactos físicos e psicológicos as crianças estão expostas. No mesmo evento, foi anunciada a criação de um fundo, a ser administrado pela OIT. Esse fundo poderá receber recursos de governos, entidades públicas e privadas, além de pessoas físicas.
“Governos, particularmente da região, poderão contribuir, de acordo com suas possibilidades. Eles podem contribuir tanto com dinheiro quanto com capacidade técnica e conhecimento”, explicou Chediek. Segundo ele, os diálogos entre ONU e governos começam durante a 3ª Conferência Global sobre Trabalho Infantil, iniciada hoje (8), em Brasília.
Para o coordenador do Sistema ONU no Brasil, a criação do fundo tem por objetivo ampliar a atuação da entidade. “O fundo vai apoiar a implementação de políticas, para que [nosso trabalho] não seja só cooperação técnica, mas também tentar fornecer recursos para políticas concretas. A ideia é começarmos a trabalhar o mais rápido possível”.
Edição: Carolina Pimentel
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