Sociedade

O que os Advogados Acham de Certos Concorrentes

 

Quem passa a exercer a advocacia depois de aposentado na magistratura, Ministério Público etc., não imagina o quanto prejudica a vida dos advogados que têm a advocacia como única fonte de renda.

 

A mensagem que me foi enviada em 29/04/2008 pelo advogado Luiz Antônio de Assis mostra claramente essa situação. Escreveu-me cumprimentando-me pelo meu artigo “Cada Macaco no seu Galho e Melhor Distribuição de Rendas”, publicado em alguns sites, e fez seu desabafo contra aqueles que concorrem com ele contando com alguns pontos de vantagem… O assunto é para pensarmos quanto ao espaço que passamos a ocupar visando mero acréscimo de rendas, o qual serviria muito bem para outros profissionais, que lutam para simplesmente sobreviver com grandes sacrifícios no mercado de trabalho instável dos profissionais liberais.

 

O autor da mensagem teve a coragem de revelar sua insatisfação. A maioria, no entanto, prefere não se indispor com os concorrentes especiais…

 

Segue abaixo a mensagem:

 

      Prezado Dr. Luiz Guilherme Marques

 

      Saúde, Força e União

 

      Posso dizer, sem querer fazer média alguma com V. Exa., que aprendi a admirá-lo por seus artigos e sua independência e desprendimento. V. Exa. tem-se revelado uma pessoa “resolvida” na vida e feliz. Pelo que vejo, é um vocacionado à judicatura e homem livre e de bons costumes.

 

      Quanto ao seu artigo “Cada Macaco no seu Galho”, dou-lhe plena razão. Acredito que V. Exa. quando se aposentar não irá advogar e por certo, irá mesmo é “curtir os netos” e a merecida aposentadoria, que haverá de convir comigo, pela relevante função exercida, receberá um valor considerável, que lhe permita continuar com o bom padrão de vida levado enquanto na ativa.

 

      Fico realmente preocupado com esta questão. Sou um simples advogado autônomo e exerço minhas atividades na comarca de Manhuaçu. Tenho já 15 anos de atividade e junto com vários outros, estamos assistindo a chegada cada vez mais no mercado de jovens advogados e na verdade, o que estamos assistindo é a proletarização da profissão.

 

      Diante da minha vivência profissional, simples e interiorana, “advogado de sapato empoeirado”, como chamo, “caipira”, fico muito preocupado, quando vejo juízes, promotores, delegados, peritos, oficiais militares, ao se aposentarem, passarem a exercer a profissão de advogado, autônomo, como eu. Na verdade, como já tem uma remuneração garantida por mês (aposentadoria), o exercício da advocacia, quando não exercido por questões de vaidade ou mesmo ganância, passa a ser “um extra” e com isso, em muitas das vezes acabam cobrando valor aquém daquilo que se cobraria. Já perdi várias causas por isso. O cidadão vem, me consulta e recebe o preço e ao depois, some e quando eu verifico, contratou como advogado um ex-militar, ex-delegado, etc..

 

      A gente sente esse tranco ainda mais aqui no interior.

 

      Veja bem: V. Exa. é Juiz aí em Juiz de Fora. Já não é “juiz de fora” nada; é Juiz “de dentro”; respeitado, certamente que é na cidade. Assim, V. Exa., ao se aposentar, abre um escritório de advocacia na cidade. Não preciso nem falar sobre a concorrência… Se eu morasse aí e tivesse uma causa para um advogado me defender, por certo que procuraria um que já foi JUIZ na cidade, que tem respeitabilidade, conhecimento e que acabaria por receber um tratamento especial dos servidores do fórum…. Processo andaria mais rápido, etc.

 

      Veja o que aconteceu alguns meses atrás no S.T.F. (a mais alta corte de justiça do País), onde pelo que fiquei sabendo, não podendo provar nada, nosso conterrâneo o ex-ministro e agora advogado Maurício Corrêa, tentou usar de sua condição privilegiada como Ex-Ministro da Suprema Corte, para “adiantar um expediente” junto ao ainda Ministro Joaquim Barbosa, e pouca gente viu no que deu. Mas é isso que vemos. Veja bem… é inarredável direito do cidadão advogar. Mas eu penso diferente demais da conta! Se eu tivesse chegado aos 70 anos de idade e me aposentado com um salário 40 vezes maior que do trabalhador brasileiro… eu “tava” é pescando, “sô” e jogando truco… “06!!!!”… “09!!!”…. “truco”!!!

 

      Claro que são prerrogativas das pessoas. É de todo direito do cidadão, depois de ocupar altos cargos (por méritos seus) no Judiciário, Parquet, Polícia, etc., vir advogar, mas na verdade, realmente quem sofre, somos nós, que tão-somente nos apresentamos ao público como ADVOGADO.

 

      Parabéns Excelência, (com “E” maiúsculo mesmo). Continue a opinar, mesmo que V. Exa. receba “cacetadas” de vez em quando.

 

      Sou seu fã. Se merecer resposta de V. Exa., desde já agradeço.

 

      Fraternalmente

 

      Luiz Antônio de Assis

 

      Advogado OAB-MG 68.514

 

      54ª. Subseção de Manhuaçu – MG

 

      luizassisadvog@bol.com.br.

 

 

* Luiz Guilherme Marques, Juiz de Direito da 2ª Vara Cível de Juiz de Fora (MG).

Como citar e referenciar este artigo:
MARQUES, Luiz Guilherme. O que os Advogados Acham de Certos Concorrentes. Florianópolis: Portal Jurídico Investidura, 2009. Disponível em: https://investidura.com.br/artigos/sociedade/o-que-os-advogados-acham-de-certos-concorrentes/ Acesso em: 04 jul. 2026
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