Sociedade

Braços abertos ao poeta e ao homem de bem

 

 

A Academia Brasileira de Filosofia recebe, hoje, em seus quadros, um dos maiores filósofos-educadores do Brasil contemporâneo, Paulo Nathanael Pereira de Souza. Sua carreira foi brilhante e continua sendo. Presidiu durante longos anos o Conselho Federal de Educação, à época que as maiores expressões culturais do país compunham-no e à época em que o estudo universitário merecia das autoridades especial tratamento legislativo e técnico.

 

Nosso conhecimento data daqueles tempos, em que, com precisão, competência e especial habilidade no trato com as pessoas e com os temas da educação, Paulo Nathanael enfrentava os desafios da evolução do ensino universitário para colocá-lo em patamar das universidades dos países desenvolvidos em contraponto à necessidade de atender às peculiaridades de um país ainda subdesenvolvido, que lutava para sair do quadro que o nivelava às nações menos evoluídas.

 

Foi presidente do Conselho Diretor e Administrativo do CIEE Nacional, sendo hoje seu presidente de honra, reitor das Universidades Corporativas Unicaesp/Unisescon, membro de mais de uma dezena de Academias, entre elas a Paulista de Letras, de Educação, de História e Cristã, membro dos Conselhos da FIESP e Fecomércio. Exerceu o magistério universitário em História, Economia, Educação e Cultura, sendo doutor em Educação. Ostenta inúmeras condecorações, entre as quais a Ordem do Mérito Nacional Francês e a Légion d’Honeur, Ordem Nacional do Mérito Educativo (Grande Comendador), Grande Colar do Sesquicentenário da Independência Brasileira. Da Marinha brasileira tem a medalha Almirante Tamandaré e Mérito Naval, Amigo da Marinha. É cidadão honorário de diversas cidades. Publicou inúmeros livros e artigos não só no Brasil como no exterior.

 

É de se ressaltar três aspectos em sua maneira de ser que sempre admirei, a saber: de filósofo, poeta e pater familiae. O filósofo e educador Paulo Nathanael sempre foi dotado da visão abrangente da filosofia como ciência do saber e do especular sobre as razões últimas da existência. Como um verdadeiro mentor – a Fenelon, no seu As aventuras de Telêmaco, deve-se a valorização do personagem de Homero, que passou a confundir-se com o vocábulo educador – preparou gerações de jovens não só para a profissão, mas para a vida, tendo sido um dos idealizadores e presidente, desde muitos anos, da mais importante ONG nacional de preparação e colocação de estagiários no mercado de trabalho, ou seja, o CIEE – Centro de Integração Empresa-Escola. Percebendo a importância de preparar com competência e ética os jovens, em uma instituição nacional – talvez a mais relevante nesta função nas Américas – Paulo Nathanael dedicou parte de sua existência e de sua experiência a ser líder no desempenho dessa tarefa.

 

É, pois, um filósofo-educador, na formulação de teorias e soluções, e um educador-filósofo, ao aplicar as suas formulações teoréticas, com alguns ilustres companheiros, nesse projeto que honra e orgulha o Brasil.

 

Como filósofo-historiador é, também, profundo conhecedor da história do Brasil e do mundo. Há uma filosofia da história no apreender o fio condutor do evoluir dos acontecimentos humanos, que penetra a política, a sociologia, a antropologia, a vida do cotidiano e o núcleo dos acontecimentos. Sempre dominou a tríplice visão histórica (a interpretação sociológica, a descrição cronológica e a compreensão do cotidiano). Por fim, como filósofo-cristão filia-se à corrente jusnaturalista, que São Tomás também perfilou.

 

Mas, além de filósofo é um poeta clássico, com pleno domínio da forma, com extraordinário sentido de que a poesia é, antes de tudo, emoção, pois o poeta, à semelhança das naves espaciais dos filmes antecipatórios, imortalizadas pelo gênio de Gene Roddenberry em sua insuperável série Star trek , não tem horizontes, nem espaços delimitadores.

 

Navega, o poeta, pelo universo conhecido e desconhecido e ultrapassa, se limites, o universo tiver, as próprias fronteiras, que se encontram além das belezas temporais e espaciais da realidade.

 

Quem o conhece sabe quanto Paulo Nathanael é aquele que sabe comportar-se na vida como o Criador gostaria que seus filhos se comportassem, com serena dedicação no que faz, mas, principalmente, com manifesta preocupação em colaborar com tudo e com todos para, no seu âmbito de ação, tornar o mundo melhor.

 

Ao filósofo, ao poeta e ao homem de bem, na concepção clássica que sinonimava o homem justo como homem de bem, a Academia Brasileira de Filosofia abre seus braços na certeza de que entre seus novos pares, o novo confrade continuará a colaborar, como sempre o fez, na busca da construção de uma pátria melhor, principalmente para aqueles que nos sucederão.

 

 

 

* Ives Gandra da Silva Martins, Advogado. Doutor em Direito. Professor Emérito das Universidades Mackenzie, UNIFMU e da Escola de Comando e Estado Maior do Exército. Presidente do Conselho de Estudos Jurídicos da Federação do Comércio do Estado de São Paulo e do Centro de Extensão Universitária.

Como citar e referenciar este artigo:
MARTINS, Ives Gandra da Silva. Braços abertos ao poeta e ao homem de bem. Florianópolis: Portal Jurídico Investidura, 2009. Disponível em: https://investidura.com.br/artigos/sociedade/bracos-abertos-ao-poeta-e-ao-homem-de-bem/ Acesso em: 05 jul. 2026
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