Sociedade

A Cidadania Segundo Herbet de Souza

 

HERBET DE SOUZA (BETINHO) escreveu, em Poder do Cidadão:

 

      O cidadão é o indivíduo que tem consciência de seus direitos e deveres e participa ativamente de todas as questões da sociedade. Um cidadão com sentido ético forte e consciência de cidadania não abre mão desse poder de participação.

 

Ao contrário de BETINHO, há quem encara a cidadania apenas sob o aspecto dos direitos, visando a cobrar dos outros uma série de condutas. São esses os reivindicadores inveterados, que, normalmente, exigem que outros façam o que eles próprios não realizam. Na verdade, trata-se a cidadania de uma moeda com dois lados: cara e coroa – direitos e deveres.

 

Os direitos não são mais importantes que os deveres e vice-versa. As duas faces da moeda são de igual importância, sendo inseparáveis uma da outra. Não há direito sem um dever correspondente e vice-versa.

 

A participação ativa dos cidadãos em tudo o que diga respeito à sua comunidade é tanto um direito quanto um dever. Os cidadãos não devem omitir-se e nem permitir que alguém lhes impeça o direito de participar. Essa participação deve ser ativa, apresentando sugestões, críticas e também oferecendo-se para colaborar com outros que já estavam atuando anteriormente. Não deve haver personalismos, mas sim participação que vise o bem comum, o progresso de todos.

 

Cada cidadão deve imbuir-se de um sentido ético para poder participar em benefício da comunidade, sem fisfarsada intenção de enganar as pessoas e, no fundo, estar trabalhando apenas em proveito próprio.

 

Deve-se ter consciência de cidadania, ou seja, a noção clara da prevalência do interesse da comunidade sobre os interesses pessoais. Essa consciência decorre da boa formação moral de cada um, normalmente resultante das palavras e exemplos de idealismo colhidos no lar paterno.

 

BETINHO conseguiu resumir nessa frase toda sua filosofia de vida, que foi rica de realizações em favor da conscientização das pessoas (ricos e pobres, intelectuais e analfabetos). Não são apenas os ricos e intelectuais que devem trabalhar em favor da coletividade, mas também os pobres e analfabetos. O dever é de todos, cada qual dentro das suas possibilidades.

 

A consciência de cidadania é a mais importante realização que um povo pode alcançar, não necessariamente decorrente da mera instrução acadêmica, mas sim resultado da maturidade do ser humano.

 

Uns ligam essa consciência à idéia de Religião, mas esclarecendo-se que não se trata do separatismo das seitas e religiões, conforme pregava JOHN LENNON na sua canção Imagine.

 

Trata-se de um movimento mundial, sem divisionismos nacionalistas, sem armas e a favor da Paz (com p maiúsculo) em toda parte.

 

Não importa quem seja apontado como seu líder máximo, nem qual sua nacionalidade, partido político ou corrente filosófica, uma vez que, acima das idolatrias e vaidades individuais, cada cidadão é o condutor de si próprio e de sua conduta e não é apenas um número na massa, manipulável e insignificante. Cada cidadão, por mais humilde que seja, é uma figura importante dentro do universo em que atua.

 

Ficar de fora dessa modernidade é uma das piores opções que alguém pode fazer contra si próprio, pois, apesar de estar vivo fisicamente traz a alienação moral dentro da própria cabeça.

 

 

* Luiz Guilherme Marques, Juiz de Direito da 2ª Vara Cível de Juiz de Fora (MG).

Como citar e referenciar este artigo:
MARQUES, Luiz Guilherme. A Cidadania Segundo Herbet de Souza. Florianópolis: Portal Jurídico Investidura, 2009. Disponível em: https://investidura.com.br/artigos/sociedade/a-cidadania-segundo-herbet-de-souza/ Acesso em: 04 jul. 2026
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