Há pouco menos de quatro meses, o mundo assistia naufragar em Copenhagen na Dinamarca, as esperanças de que desta vez teríamos a questão do cambio climático, devidamente equacionada e formalizada em um novo protocolo que iria substituir o de Kyoto de 1.992.
Não foi desta vez e não vamos repetir as razões do fracasso, por quê isto já foi feito à exaustão. Nós mesmos destas páginas, antes de iniciar a Conferência já prevíamos.
Quando se fala em clima, aquecimento global, poluição e tudo o que implica em melhoria de vida, todos de Osama Bin Laden a George Bush, de palestinos a israelenses e até dos guerrilheiros das Farc ao presidente Uribe, são concordes e unânimes em afirmar, que algo tem que ser feito.
Por esta razão, numa quarta-feira lá do mês de dezembro de 2.009, falando em nome do presidente Obama, a secretária Hillary Clinton assentiu com a possibilidade de criar-se um fundo para enfrentar as questões climáticas, destinando a ele a bagatela de vinte bilhões de dólares.
Sabem os políticos americanos, que questões tão sensíveis, contribuem com alguns pontos nos índices de popularidade e não iriam perder tamanha chance de ficar bem na foto.
Dias depois, subia ao palco da Conferência o presidente Lula e sempre ressalvando que a “culpa” pelo aquecimento global era dos países ricos, que deveriam arcar com os custos financeiros de detê-lo, acenou com a possibilidade do país também contribuir com tal fundo. A assessoria “vazou” a informação de que tal contribuição poderia ser de cinco bilhões de dólares, dando vazão à teoria do subjugo nacional (olha ela aí de novo!), pela qual somos grandes em tudo, até na mentira.
É até desnecessário dizer que nem Obama e muito menos Lula contribuíram com um dólar, para tal fundo, que nunca existiu.
Conferência para tratar do clima é como convite para jantar em restaurante caro. Os partícipes são todos dedos e cordiais, enquanto não chega a conta, que é motivo e o pomo da discórdia entre parceiros de idéias tão semelhantes. Alguns, então, saem de fina e se esquecem até de pagar.
Quem resumiu perfeitamente a questão do meio ambiente, que gera tanto disse-não-disse foi a ex-ministra Dilma Roussef, que de Estocolmo sob as barbas do Minc disse que o grande entrave ao crescimento econômico era o meio ambiente. Ela, em sua ignorância na matéria disse uma verdade, só que com as palavras trocadas, na realidade, o grande entrave a um meio ambiente saudável é o crescimento econômico desordenado.
Ainda bem que em dezembro de 2.010, quando da COP 16 que será realizada na cidade do México, Lula em fim de mandato e se lá for, não poderá prometer muita coisa para ninguém. Coisas que ele sabe que não irá cumprir, como fez na COP 15.
Adepto incondicional do crescimento desordenado e a qualquer custo, Lula talvez seja lembrado como um verdadeiro desastre ambiental.
Se já não bastasse, Santo Antonio e Jirau – hidrelétricas que estão sendo construídas no rio Madeira -, canalão (indevidamente chamado de transposição) do rio São Francisco, novo Código Florestal para alforriar grandes atores de crimes ambientais – Eike Batista é um deles – o governo Lula agora acena com o afrouxamento das regras para o licenciamento ambiental. Assim, empreendimentos altamente lesivos ao meio ambiente poderão ser aprovados a toque de caixa, como exige o crescimento desordenado, tão a gosto do ex-habitante da caatinga pernambucana, para quem o verde das matas é inimigo do progresso e o “meio ambiente, o grande entrave ao crescimento econômico”.
