Política

Otimismo de Araque

 

27 de outubro de 2009

 

Nota do Luciano Martins Costa, do Observatório da Imprensa, comentou que uma onda de otimismo econômico invadiu os jornais, em contraste com o pessimismo político. A mim me custa acreditar na espontaneidade dessas informações. Não se vê base real para otimismo e arrisco opinar que essas informações que nos chegam, como pesquisas e sondagens do ânimo empresarial, podem ser usadas para a mais deslavada propaganda política.

 

Eu prefiro olhar para indicadores frios e exatos, como a arrecadação federal de impostos e o problema do déficit da Previdência Social, em parte determinado pela míngua da receita, diretamente vinculada aos empregos formais e às vendas das empresas. Ótimo indicador, puro. O problema desses dois indicadores é que não são consistentes com a recuperação propagandeada, muito ao contrário.

 

Vale lembrar que a base de comparação do ano anterior ainda está no período pré-crise. Mesmo assim, não haverá tempo hábil no trimestre restante para inverter a tendência de forte queda dos indicadores citados.

 

Trata-se de propaganda pura e simples, essas notícias de bonança. Os nossos atuais governantes são enfeitiçados por estatísticas econômicas otimistas e têm total controle do noticiário. Uma ou duas pesquisas de sondagens direcionadas deram falso fundamento a uma onda de notícias enganosas. O mundo real está longe daqueles que Lula e o PT gostariam que estivesse. Em resumo, a tal recuperação não passa de grossa lorota.

 

A Folha de São Paulo foi mais comedida, relegando a notícia às suas páginas internas do Caderno de Economia (Otimismo da indústria é o supera o pré-crise). Não confio nessa sondagem da CNI, que pode dar margem a qualquer interpretação e a Folha aqui comportou-se corretamente. Apenas deu o fato de press release. O Estadão, sempre melhor informado, dá manchete a uma suposta redução permanente de IPI na chamada linha branca de eletrodomésticos. Nas páginas internas do caderno de Economia, na sua condição de arauto das boas notícias do governo, informou: Indústria retoma projetos de expansão. Não satisfeito, alardeou: Confiança da indústria é a maior desde 2005. Vê-se que, quem quiser ficar desinformado, deve ler o Caderno de Economia do Estadão com muita credulidade. Mentem impiedosamente.

 

É como se os impostos federais não tivessem despencado, assim como a arrecadação de ICMS de importantes estados federados. Essa, sim, é a dura e crua realidade.

 

Caro leitor, não acredite nessas lorotas. Melhor ficar de olho no volume de arrecadação. Não tem como maquiar. Se caiu é porque a crise continua lá, onde sempre esteve, em crise.

 

 

* José Nivaldo Cordeiro, Executivo, nascido no Ceará. Reside atualmente em São Paulo. Declaradamente liberal, é um respeitado crítico das idéias coletivistas. É um dos mais relevantes articulistas nacionais do momento, escrevendo artigos diários para diversos jornais e sites nacionais. É Diretor da ANL – Associação Nacional de Livrarias.

Como citar e referenciar este artigo:
CORDEIRO, José Nivaldo. Otimismo de Araque. Florianópolis: Portal Jurídico Investidura, 2009. Disponível em: https://investidura.com.br/artigos/politica/otimismo-de-araque/ Acesso em: 23 abr. 2024
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