Política

Os quatro cenários

Os quatro cenários

 

 

Ives Gandra da Silva Martins*

 

 

Visualizo, qualquer que seja o resultado da eleição, no 2º turno, quatro cenários para o Brasil, no quadriênio 2007/2010.

 

Parto do princípio de que o panorama mundial estará pior do que o do quadriênio 2002/2006 (o melhor dos últimos 20 anos), mas não tão ruim quanto o do quadriênio anterior, 1999/2002, ou seja, no período das crises asiáticas e russa, que terminaram impactando o Brasil.

 

Qualquer que seja o presidente eleito, não terá o céu de brigadeiro que o Presidente Lula teve em 2003/2006, capaz, por si só, de corrigir, pelo esplendor do comércio internacional, qualquer erro de gestão ou de política inadequada.

 

Neste quadro, se for eleito Alckmin, estou convencido que sua administração será muito parecida àquela que fez em São Paulo, nos seus dois mandatos, ou seja, austera, estimuladora da iniciativa privada, com investimentos relevantes e, buscando parcerias com a cidadania nas questões sociais. Basta dizer que a maioria das ONGs que mais trabalha pelo social no Brasil, está em São Paulo e, colaborando com o Governo. Haverá uma natural e crescente inserção na economia global e o Brasil seguirá os países Rússia, Índia e China, com progresso maior do que o atual.

 

Se Lula ganhar, visualizo três cenários.

 

Um primeiro cenário de radicalização com seus amigos, partidários e o MST, pressionando o Brasil a adotar um rumo semelhante ao de Chaves, de Fidel ou de Morales, com a adoção dos mesmos instrumentos do passado (invasões de terras, confrontos, desrespeito a ordem rural, mensaleiros, caixa dois), visto que desde que Marx lançou a luta sem tréguas contra o capitalismo e Lenin assumiu o poder na Rússia, os meios são, para os seguidores dessa corrente, justificados pelos fins. Cenário possível, mas não provável.

 

O segundo cenário é o da mediocridade. Continuará fazendo o que faz, com pessoas menos brilhantes do que alguns de seus melhores Ministros atuais, visto que perdeu Rodrigues e poderá perder Furlan, Márcio e Meirelles. O atual governo só não foi pior (crescimento pífio em relação a todos os países emergentes), por força do estupendo cenário internacional. Esse cenário é o mais provável e seu segundo mandato será de pior nível do que o atual, visto que carecerá de quadros partidários.

 

O terceiro cenário é o da grandeza. Livrando-se de todos aqueles que só lhe causaram problemas e dos radicais, que querem um governo semi-ditatorial no estilo Fidel, Chaves ou Evo Morales, poderá escolher grandes nomes, reconhecidos nacional e internacionalmente, para constituir seu Ministério de Primeiro Mundo. Montado o Ministério, só aí principiaria a fazer os convites, mostrando a cada convidado quais seriam os seus companheiros. Desta forma, evitaria negativas dos primeiros convidados. É possível também, mas não provável.

 

O certo é que não visualizo para o Brasil nenhum outro cenário a não ser um dos quatro, esperando que os eleitores conscientes saibam escolher o futuro presidente entre as duas alternativas que lhe são levadas.

 

 

* Professor Emérito das Universidades Mackenzie, UNIFMU e da Escola de Comando e Estado Maior do Exército, Presidente do Conselho de Estudos Jurídicos da Federação do Comércio do Estado de São Paulo e do Centro de Extensão Universitária – CEU. Site: www.gandramartins.adv.br

 

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Como citar e referenciar este artigo:
MARTINS, Ives Gandra da Silva. Os quatro cenários. Florianópolis: Portal Jurídico Investidura, 2008. Disponível em: https://investidura.com.br/artigos/politica/os-quatro-cenarios/ Acesso em: 20 fev. 2024
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