Economia

Pesquisa Industrial Mensal Produção Física – Brasil – Fonte IBGE – Base: Outubro de 2009

 

 

Produção industrial cresce 2,2% de setembro para outubro

 

Em outubro de 2009, a produção industrial avançou 2,2% frente ao mês anterior, na série livre de influências sazonais. Nos confrontos com iguais períodos do ano passado, os índices permaneceram negativos: -3,2%, frente a outubro de 2008, e -10,7%, no acumulado janeiro-outubro. O acumulado nos últimos doze meses registrou -10,6% manteve a trajetória descendente, mas com menor ritmo frente aos meses anteriores.

 

Com o avanço de 2,2% observado no total da indústria entre setembro e outubro, o patamar de produção do setor ficou 5,7% abaixo do nível recorde atingido em setembro de 2008. Esse aumento no ritmo de atividade em outubro foi disseminado entre os setores industriais, atingindo 21 dos 27 ramos pesquisados. Entre estes, o desempenho de maior importância para o resultado global veio de veículos automotores (11,2%), que após o forte ajuste na produção no final do ano passado, acumula ganho de 107,1% frente a dezembro de 2008. Também merece destaque a expansão de 3,0% registrada em alimentos, vindo a seguir os avanços observados em bebidas (4,0%), metalurgia básica (2,6%) e farmacêutica (3,1%). Por outro lado, as principais influências negativas vieram de outros produtos químicos (-1,9%), equipamentos de instrumentação médico-hospitalar e ópticos (-7,2%) e máquinas para escritório e equipamentos de informática (-3,8%).

 

Entre as categorias de uso, ainda na comparação mês/mês anterior, os setores de bens de capital e de bens de consumo duráveis, ambos com taxas de 5,9%, sustentaram forte expansão na passagem de setembro para outubro, seguidos por bens de consumo semi e não duráveis (1,3%) e bens intermediários (1,2%), que cresceram abaixo da média global (2,2%). Nessa comparação, vale destacar o comportamento de bens de capital, que há dois meses avança em ritmo superior ao incremento médio de 2,8% observado de abril a outubro.

 

O desempenho positivo da atividade industrial em outubro confirmou a trajetória ascendente do índice de média móvel trimestral observada nos últimos oito meses. Na indústria geral, o acréscimo registrado entre setembro e outubro foi de 1,8%, repetindo o avanço do mês anterior. Bens de capital exibiu o maior incremento (3,9%), entre as categorias de uso, acelerando o ritmo frente ao mês anterior (2,5%), seguido por bens duráveis (2,8%) e bens intermediários (1,2%). O setor de bens de consumo semi e não duráveis, com acréscimo de 0,6%, registrou a segunda taxa positiva consecutiva.

 

Na comparação com igual mês do ano anterior, a produção industrial exibe recuo há doze meses, com a taxa de -3,2% de outubro registrando a menor retração desse período. Vale ressaltar a diferença de dois dias úteis a menos em outubro de 2009 em relação a outubro de 2008. O resultado deste mês reflete a recuperação do setor observada desde o início de 2009, quando o índice mensal saiu de –17,5%, em janeiro, chegando a –3,2%, em outubro. A redução no ritmo de queda também se confirma no índice de difusão, que após registrar recuo na produção de 77% dos 755 produtos pesquisados em fevereiro de 2009, reduz esse percentual para 55% em outubro, seu menor nível desde novembro do ano passado. Setorialmente, a queda em outubro atingiu 18 das 27 atividades investigadas, com destaque para a maior pressão negativa vinda de máquinas e equipamentos (-13,7%), seguido por metalurgia básica (-10,3%), material eletrônico, aparelhos e equipamentos de comunicações (-15,2%), veículos automotores (-4,7%), máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-15,2%) e indústrias extrativas (-8,1%).

 

Nesses ramos, as influências mais significativas vieram dos itens: centro de usinagens e rolamento de esferas para equipamento industrial; alumínio e relaminados de aço; telefones celulares e televisores; caminhões; transformadores e fios, cabos e condutores elétricos; e minérios de ferro. Vale destacar que os setores citados apontaram em outubro quedas menos intensas que nos meses anteriores. Por outro lado, os impactos positivos mais relevantes vieram de outros produtos químicos (11,1%) e refino de petróleo e produção de álcool (5,0%), por conta da maior produção de herbicidas e adubos e fertilizantes, no primeiro ramo, e óleo diesel no segundo.

 

Entre as categorias de uso, bens de consumo duráveis foi a única que registrou crescimento frente a outubro de 2008 (2,8%). Com esse desempenho o setor interrompeu doze meses de taxas negativas, impulsionado, sobretudo, pela maior fabricação de automóveis, que registrou 9,7% de expansão, após um ano em queda. A produção de eletrodomésticos (4,5%) também avançou em relação a outubro de 2008, especialmente influenciada pela “linha branca” (27,1%), que cresce há seis meses. Pressionando negativamente, a produção de telefones celulares apontou decréscimo de 12,3%. O setor de bens de consumo semi e não duráveis recuou 0,7%, refletindo, sobretudo, o comportamento negativo de carburantes (-12,7%) e de semiduráveis (-6,1%), onde a redução nos itens álcool e gasolina, no primeiro subsetor, e cd´s e camisas, exceto de malhas, no segundo, exerceram os principais impactos. A pressão positiva relevante foi registrada pelo grupamento de alimentos e bebidas elaborados para consumo doméstico (2,8%), que cresce há quatro meses, o que é explicado, em grande parte, pelo avanço na produção de cervejas, chopes e leite esterilizado. Cabe ressaltar que a diferença de dois dias úteis a menos em outubro de 2009 tem impacto sobre a categoria de bens de consumo, sendo assim, descontada a sazonalidade, a produção bens de consumo duráveis em outubro de 2009, frente a igual mês do ano anterior, ficaria em 4,7% e de bens de consumo semi e não duráveis, 0,3%.

 

Ainda na comparação com igual mês do ano anterior, o recuo de 2,5% na produção de bens intermediários ficou abaixo da média da indústria (-3,2%), com contribuição positiva dos produtos intermediários associados às atividades de refino de petróleo e produção de álcool (16,6%), outros produtos químicos (10,8%) e celulose e papel (2,2%), além do aumento de 1,1% na produção de embalagens, após doze meses em queda. Por outro lado, contribuindo para o recuo no resultado global, observa-se a influência negativa dos produtos associados às atividades de metalurgia básica (-10,3%), indústrias extrativas (-8,2%), veículos automotores (-11,5%) e produtos químicos (-12,6%) pressionados principalmente pela redução nos itens: alumínio e relaminados de aço; minérios de ferro; peças e acessórios para indústria automobilística; inseticidas para uso na agricultura. Ressalta-se, ainda, o índice negativo observado em insumos para construção civil (-6,0%). O segmento de bens de capital permaneceu com a queda mais acentuada (-16,8%) entre as categorias de uso, influenciado pelas reduções na produção de todos os seus grupamentos, com destaque para as perdas assinaladas por bens de capital para transporte (-13,4%), pressionado principalmente pela menor fabricação de caminhões; seguido por bens de capital para uso industrial (-32,3%), para uso misto (-10,9%), para energia elétrica (-25,8%) e para construção (-27,0%).

 

O indicador acumulado para o período janeiro-outubro recuou 10,7%, refletindo as quedas observadas em 23 dos 27 ramos industriais, com os impactos negativos mais importantes vindos de veículos automotores (-20,1%), máquinas e equipamentos (-24,6%), metalurgia básica (-22,4%), material eletrônico e equipamentos de comunicações (-31,1%), máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-23,2%) e indústrias extrativas (-11,9%). Por outro lado, os setores farmacêutico (7,6%) e de bebidas (6,6%) exerceram os impactos positivos mais relevantes. Entre as categorias de uso, o setor de bens de consumo semi e não duráveis (-2,7%), relativamente mais protegido dos efeitos da crise, mostrou queda inferior à média da indústria (-10,7%). Os demais recuos foram: 12,3% em bens intermediários, seguido por bens de consumo duráveis (-12,7%) e bens de capital (-22,0%).

 

Em síntese, a elevação do ritmo da atividade industrial em outubro (2,2%) teve perfil generalizado, atingindo a maioria (21) dos 27 setores industriais, e contribuiu para o setor acumular 19,5% de expansão ao longo de 2009. Vale ressaltar que o mês de outubro mostrou o maior avanço marginal desde julho (2,4%), superando o ritmo médio de 1,8% observado nos dez primeiros meses do ano. Esse desempenho sintetiza os efeitos positivos mais recentes sobre a atividade industrial da retomada dos investimentos, além do estímulo das desonerações fiscais, da manutenção do emprego e da massa salarial, com reflexo direto no nível de consumo interno. As comparações com o ano de 2008 permanecem negativas mas são decrescentes, com o índice mensal de outubro (-3,2%) apontando a menor queda desde outubro de 2008 e o acumulado no ano reduzindo o ritmo de queda frente os resultados dos meses anteriores.

 

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* Ricardo Bergamini, Economista, formado em 1974 pela Faculdade Candido Mendes no Rio de Janeiro, com cursos de extensão em Engenharia Econômica pela UFRJ, no período de 1974/1976, e MBA Executivo em Finanças pelo IBMEC/RJ, no período de1988/1989. Membro da área internacional do Lloyds Bank (Rio de Janeiro e Citibank (Nova York e Rio de Janeiro). Exerceu diversos cargos executivos, na área financeira em empresas como Cosigua – Nuclebrás – Multifrabril – IESA Desde de 1996 reside em Florianópolis onde atua como consultor de empresas e palestrante, assessorando empresas da região sul..  Site: http://paginas.terra.com.br/noticias/ricardobergamini

Como citar e referenciar este artigo:
BERGAMINI, Ricardo. Pesquisa Industrial Mensal Produção Física – Brasil – Fonte IBGE – Base: Outubro de 2009. Florianópolis: Portal Jurídico Investidura, 2009. Disponível em: https://investidura.com.br/artigos/economia/pesquisa-industrial-mensal-producao-fisica-brasil-fonte-ibge-base-outubro-de-2009/ Acesso em: 15 abr. 2024
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