Direito Ambiental

A Hora do Ambiente É Agora

 

 

Quando são publicados dados e notícias alarmantes sobre a situação ambiental que ronda, há quem diga que tudo não passa de terrorismo de ambientalistas cri-cris. Há quem continue acreditando que a natureza é tão, mas tão poderosa que não finda nunca. Há quem não decide entender que a hora já chegou, aliás, já passa, de optar por uma ética do cuidado em relação ao meio ambiente com tudo que o compõe, se não, por dever para com as futuras gerações porque talvez se pense que descenderão somente de outros, ou achando que fatalmente não teremos descendentes, por amor a esses pequeninos que hoje, nos enchem de alegria com suas gracinhas, com os sorrisos, com as surpresas de quem vai pouco a pouco descobrindo o mundo.

 

Já não se pode continuar ignorando que o desmatamento desenfreado está a conclamar que é preciso correr atrás dos danos causados. Partir com seriedade no sentido de revitalizar nascentes, de repor florestas, ao menos, a reserva legal, de refazer os corredores ecológicos, de fazer retornar o verde que canta salmos mil à vida.

 

Talvez poucos saibam que o oxigênio que respiramos foi colocado na atmosfera mediante um longo processo de atividade das plantas. Sem esta ação nenhum ser humano povoaria hoje esta terra. Ao contrário, a exploração desmedida do ambiente, também ao longo dos tempos, foi libertando grandes quantidades de gases que, ao provocarem o efeito estufa, evitaram que a Terra tivesse entrado num período glacial, com as conseqüências inerentes para a vida do mesmo homem. Por sua vez, a atividade solar que, se até agora foi compensado pelo biossistema através da absorção do CO2 e da diminuição do efeito de estufa, poderá atingir os limites de compensação num horizonte temporal inferior ao que até há bem pouco tempo era previsível.

 

É aqui que entra, para ficar, a adoção de uma ética do cuidado. Ética esta que é a mesma que faz resplandecer um contexto perfeito de harmonia e paz nos relacionamentos e nas convivências entre os humanos, entre estes e o mundo criado, de todos para com o meio ambiente. Cuidado com o rio, cuidado com a floresta, cuidado com o mangue, cuidado com as inumeráveis vidas que nos fazem ser por causa delas, o país megadiverso do mundo.

 

Implica também deitar um olhar sobre a história e verificar que nossos antepassados já temiam pelo que hoje acontece. Foi o caso do Patriarca Bonifácio de Andrada e Silva que em 1823, na luta pela libertação dos escravos, advertiu: “A Natureza fez tudo a nosso favor, nós, porém pouco ou nada temos feito por ela? … com o andar do tempo, faltarão as chuvas fecundantes que favorecem a vegetação e alimentam nossas fontes e rios, sem o que nosso Brasil, em menos de 200 anos, ficará reduzido aos páramos e desertos áridos da Líbia … virá este dia (dia terrível e fatal), em que a ultrajada natureza se ache vingada de tantos erros e crimes cometidos”. Façam-se as contas…

 

A hora do ambiente é agora, um ambiente sadio é direito e dever de todos. Não vale pensar que deve passar muito tempo até que uma árvore ou palmeira cresça. É preciso ter a sensibilidade de Martin Luther King, que afirmou: “apesar de o mundo acabar amanhã, ainda assim, gostaria de plantar uma macieirinha”.

 

 

 

* Marlusse Pestana Daher, Promotora de Justiça, Ex-Dirigente do Centro de Apoio do Meio Ambiente do Ministério Público do ES; membro da Academia Feminina Espírito-santense de Letras, Conselheira da Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de Vitória – ES, Produtora e apresentadora do Programa “Cinco Minutos com Maria” na Rádio América de Vitória – ES; escritora e poetisa, Especialista em Direito Penal e Processual Penal, em Direito Civil e Processual Civil, Mestra em Direitos e Garantias Fundamentais.

Como citar e referenciar este artigo:
DAHER, Marlusse Pestana. A Hora do Ambiente É Agora. Florianópolis: Portal Jurídico Investidura, 2009. Disponível em: https://investidura.com.br/artigos/direito-ambiental-artigos/a-hora-do-ambiente-e-agora/ Acesso em: 17 jun. 2024
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