Direito Internacional

A Unificação da Alemanha

A Unificação da Alemanha

 

 

Ricardo Bergamini *

 

 

 

“Enquanto o Brasil real apodrece, o Brasil oficial, vergonhosamente, se masturba diariamente para manutenção de seus imorais privilégios” (Ricardo Bergamini).

 

 

O Sacro Império Romano Germânico (fundado por Oto o Grande, em 962) foi dissolvido por Napoleão, em 1806. Os seus 300 e tantos Estados foram reduzidos a 40. E destes, 16 Estados formaram a Confederação do Reno, sob a autoridade de Napoleão.

 

O Congresso de Viena (1815) criou uma Confederação Germânica de 38 Estados, com a capital em Frankfurt. O presidente era o imperador da Áustria; o vice-presidente, o rei da Prússia.

 

“Era uma organização imperial de pouca eficiência, que reuniu os numerosos soberanos alemães e na qual tinham parte também de soberanos estrangeiros com possessões na Confederação, como o rei da Dinamarca e o rei dos Países Baixos. Fora dos limites da Confederação, soberanos alemães possuíam, por sua vez, territórios extensos que não faziam parte da Confederação” (Delgado de Carvalho).

 

Os partidários da Áustria desejavam a junção de todas as populações germânicas numa Grande Alemanha. Os partidários da Prússia preferiam uma Pequena Alemanha – com exclusão da Áustria.

 

O Zollferein foi um passo importante no sentido da unificação. Por iniciativa da Prússia (1819), começaram a abolir-se as taxas alfandegárias entre os países alemães, o que lhes trouxe grandes vantagens econômicas e a conseqüente prosperidade. Em 1836, todos os Estados da Confederação faziam parte do Zollferein. Somente a Áustria recusou-se a aderir, o que provocou a queda do seu prestígio entre os países alemães – em benefício da Prússia.

 

 

1848. A Assembléia de Francfort

 

Em 1848, os movimentos liberais da Europa repercutiram na Alemanha. Líderes políticos alemães – liberais e nacionalistas – sem consultar os respectivos soberanos nem lhes dar satisfação alguma, convocaram uma Assembléia Constituinte em Francfort.

 

A Assembléia redigiu uma declaração de direitos, escolheu o regime monárquico e ofereceu a coroa imperial ao rei da Prússia, Frederico Guilherme IV. Mas este, com receio da Áustria (e repugnando a origem “vergonhosa”, revolucionária, da coroa), rejeitou o oferecimento.

 

Por sua vez, a Áustria forçou a dissolução da Assembléia e a abolição das reformas liberais, que haviam sido concedidas em diversos Estados alemães.

 

 

Última Vitória da Áustria: Olmütz

 

Dissolvida a Assembléia, Frederico Guilherme tentou organizar uma Pequena Alemanha unificada e obteve a adesão de alguns soberanos. (Era a chamada “União restrita”).

 

Em vista disso, o imperador austríaco convocou uma Dieta Federal (representantes dos diversos Estados), que anulou essas decisões e exigiu a dissolução da incipiente União. Frederico Guilherme parecia disposto a resistir. A Áustria, então, ameaçou com a guerra. E o rei da Prússia, na conferência de Olmütz (1850), submeteu-se à humilhante imposição da Áustria.

 

 

Bismarck

 

Em 1861 subiu ao trono prussiano Guilherme I, que se empenhou sobretudo numa enérgica reforma militar. Contou, para isso, com a colaboração do seu férreo primeiro-ministro, Bismarck. O exército – sob a direção do excelente chefe do Estado Maior, Moltke – foi reorganizado. Dobrou seu efetivo (passou a ter 400.000 homens) foi reequipado com os mais aperfeiçoados armamentos.

 

Coube a Bismarck levar a cabo a tarefa de unificar a Alemanha. A unidade alemã foi realizada em três etapas:

 

Guerra dos Ducados – contra a Dinamarca – em aliança com a Áustria (1864); Guerra da Prússia e da Itália – contra a Áustria (1866); Guerra franco-prussiana (1870-1871).

 

Após a rápida vitória contra a Áustria (Sadowa, 1866), Bismarck criou a Confederação da Alemanha do Norte, sob a hegemonia da Prússia. A Áustria renunciou definitivamente a formar parte da Alemanha. Estava vingada, assim, a humilhação de Olmütz.

 

Sobreveio, finalmente, a guerra franco-prussiana, habilmente provocada por Bismarck. Além de vencer a França e destruir o Segundo Império (Napoleão III), o chanceler prussiano conseguiu a unificação dos países alemães. Em janeiro de 1871, na Galeria dos Espelhos do palácio de Versalhes, Guilherme I foi proclamado imperador da Alemanha.

 

 

A Guerra Franco-Prussiana (1870-871)

 

1) A França declara a guerra (19 de julho de 1870).

 

2) Período imperial: derrota francesa de Sedan (2 de setembro de 1870).

 

a) Um exército francês derrotado na fronteira: perde-se a Alsácia. A Lorena é invadida. O melhor exército francês, comandado pelo marechal Bazaine, deixa-se encerrar em Metz.

 

b) Com novo exército, Mac-Mahon e Napoleão III marcham sobre Metz. São sitiados e massacrados em Sedan. O imperador se rende a 2 de setembro de 1870. Ao tomar conhecimento da derrota, os parisienses proclamam a República (4 de setembro de 1870).

 

3) Período republicano: a defesa nacional.

 

Gambetta organiza a resistência nacional, que dura seis meses. Constitui-se um governo provisório: o “Governo da Defesa Nacional”. Paris é sitiada pelos exércitos alemães. Gambetta foge em balão e se dirige a Tours, a fim de organizar a defesa nacional.

 

Bazaine, vergonhosamente, capitula em Metz com um exército de 150.000 homens (27 de outubro de 1870). A traição precipita a derrota final. “Metz foi entregue a Bismarck, diz Malet, por um ambicioso que esperava sobressair com a queda do império. O exercito alemão pode, graças a esta infâmia, reforçar as outras frentes”.

 

Paris é bombardeada pelos alemães; mesmo assim, continua a resistir, em meio a terríveis sofrimentos.

 

A 28 de janeiro de 1871, o governo provisório concerta o armistício com Bismarck. Os franceses elegem uma Assembléia Nacional, que se reúne em Bordéus e decide negociar a paz. A Assembléia Nacional designa Thiers como chefe do poder executivo e translada-se a Versalhes. O governo de Versalhes entra logo em choque com Paris, que desencadeia a revolução – 18 de março de 1871 – e proclama a Comuna.

 

A paz franco-alemã é definitivamente estabelecida no Tratado de Francfort (10 de maio de 1871): a França cede a Alsácia (menos Belfort) e o norte da Lorena; além disso, compromete-se a pagar cinco bilhões de francos-ouro.

 

 

 

 * Economista, formado em 1974 pela Faculdade Candido Mendes no Rio de Janeiro, com cursos de extensão em Engenharia Econômica pela UFRJ, no período de 1974/1976, e MBA Executivo em Finanças pelo IBMEC/RJ, no período de1988/1989. Membro da área internacional do Lloyds Bank (Rio de Janeiro e Citibank (Nova York e Rio de Janeiro). Exerceu diversos cargos executivos, na área financeira em empresas como Cosigua – Nuclebrás – Multifrabril – IESA Desde de 1996 reside em Florianópolis onde atua como consultor de empresas e palestrante, assessorando empresas da região sul..  Site: http://paginas.terra.com.br/noticias/ricardobergamini

 

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Como citar e referenciar este artigo:
BERGAMINI, Ricardo. A Unificação da Alemanha. Florianópolis: Portal Jurídico Investidura, 2008. Disponível em: https://investidura.com.br/artigos/direito-internacional/a-unificacao-da-alemanha/ Acesso em: 15 abr. 2024
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