Trânsito

Cambio automático na formação de condutores

Até a década de 1990 o brasileiro tinha uma simpatia especial por veículos de duas portas, que em tese ofereciam um apelo
esportivo.  Veículos de quatro portas eram associados a táxis, carros executivos (‘tiozão’). Diversos podem ser os exemplos: Corcel (I e II), Escort,
Monza, Opala, Kadett entre outros famosos.  Nessa época o câmbio automático também era associado a pessoa com deficiência motora em um dos membros,
superior ou inferior, sendo sempre tomado como uma ‘adaptação’ para as pessoas que realmente possuem alguma deficiência, apesar de original em vários
modelos que sequer dispõe de versão com câmbio mecânico.  Passou o tempo e o brasileiro descobriu as vantagens do veículo com quatro portas e também
passou a descobrir as vantagens e conforto oferecidos pelo câmbio automático.

A aprendizagem prática para condução de veículos é feita apenas com carros mecânicos, até porque parte da avaliação prática
consiste na operação adequada da troca de marchas com uso da embreagem, e quem fizer a prova com veículo automático (por opção ou por necessidade) fica
restrito a conduzir veículos automáticos.

Como dissemos acima, atualmente o câmbio automático deixou de ser seletivo para veículos de alto padrão, pois foi popularizado,
e não é mais visto de forma preconceituosa.  A situação que convidamos o leitor a reflexão é que como os candidatos são treinados a utilizar o câmbio
mecânico (e ficam regularmente habilitados para a categoria ‘B’ podendo dirigir qualquer veículo dessa categoria) enfrentam resistência e alguma
dificuldade em conduzir veículos automáticos.   Uma das situações que não tem regra definida é sobre o pé mais adequado a utilizar o pedal de freio, se
o direito compartilhando com o acelerador (enquanto o pé esquerdo fica inerte), ou o direito para o acelerador e o esquerdo para o freio (como num
Kart), vez que geralmente a largura do pedal de freio comporta as duas opções, diferenciando apenas a pressão que se deve imprimir, pois é diferente
apertar a embreagem em relação ao pedal de freio.  Importante também conhecer o significado das letras P-R-N-D-3-2-1 (Parking/Reverse/Neutral/Drive –
Low 3,2,1), entre outras como OD (overdrive), além de câmbios semi-automáticos e dualogic. Há diversos relatos de acidentes que apontam o uso do câmbio
como causa do acidente.

Nossa sugestão é que fosse incluída uma quantidade de horas/aula prática na formação de condutores em veículo com câmbio
automático, pois em nossa opinião não se pode dizer que um ou outro sejam mais fáceis ou mais difíceis de conduzir, mas de fato são diferentes, e não
parece recomendável que a prática nesses veículos venha a ocorrer depois que a pessoa já está habilitada a conduzi-lo.  Fica a sugestão ao CONTRAN.

Marcelo José Araújo – Secretário Municipal de Trânsito de Curitiba, Advogado, Professor de Direito de Trânsito

Como citar e referenciar este artigo:
ARAÚJO, Marcelo José. Cambio automático na formação de condutores. Florianópolis: Portal Jurídico Investidura, 2012. Disponível em: https://investidura.com.br/colunas/transito-colunas/cambio-automatico-na-formacao-de-condutores/ Acesso em: 20 mai. 2024