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Opinião Postura aviltante

Algumas prefeituras paulistas estão proibindo a antiga prática, adotada por empresas, de contratar pessoas idosas, para a divulgação de produtos ou serviços. Com isso, além de prejudicar o ganha-pão dessas pessoas, estão retirando de muitas delas o hábito salutar de manter-se em atividade, combatendo o sedentarismo.

Figuras comuns nas ruas e avenidas das grandes cidades, os tais plaqueiros usam a atividade para completar a renda familiar enquanto ativam a mente, exercitam o corpo e sentem-se úteis. Assim, mais que uma atividade econômica, a função do plaqueiro é, para o idoso, também uma forma de fazer do seu cotidiano um combate ao tédio na medida em que se relaciona com muitas pessoas, durante todo o dia.

Está mais que provado que o melhor exercício para o idoso é a atividade, é o contato com o público, é sentir-se útil. Apesar disso, estamos vendo algumas prefeituras cometendo o erro de banir das ruas esses idosos, sob o argumento de que a atividade é aviltante, que estão explorando essas pessoas. E aí fazemos a nossa perguntinha: também não seria aviltante a contratação de jovens, nos cruzamentos, portando estandartes de campanhas de segurança no trânsito?

Não seria aviltante o jovem com uma seta pendurada no pescoço, indicando ou distribuindo panfletos de lançamentos imobiliários? Erram as prefeituras e erramos todos nós quando nos esquecemos de que, tanto o idoso, como o jovem, precisam de trabalho, e todo trabalho é digno quando tem a honestidade como fundamento.

Não é novidade para ninguém que o achatamento nos ganhos do aposentado o obriga a fazer “bicos”. Não é segredo para ninguém que importamos quinquilharias principalmente da China, e matamos as vagas no mercado de trabalho em nosso país. Não é novidade que criamos o Estatuto da Criança, e impedimos que o jovem entre no mercado de trabalho, antes dos dezesseis anos. Mas é novidade para muita gente a constatação de que não temos emprego para todos, principalmente para o jovem inexperiente que, como tal, não consegue oportunidade. E, sem oportunidades, como se tornar experiente?

Assim, optamos para manter a vaga no mercado de trabalho para o pai de família, e usamos o ECA como simples ferramenta para justificar a nossa incompetência. Como não temos vagas para o jovem, culpamos o ECA, e vamos vivendo de paliativos, representados pelo jovem distribuindo panfletos, ou o idoso com a placa “compramos ouro”, erros cuja intensidade está apenas no quanto isso representa no sustento da família.



*Vitor Sapienza é deputado estadual (PPS), presidente da Comissão de Ciência, Tecnologia e Informação, ex-presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, economista e agente fiscal de rendas aposentado.

Fonte: AL/SP

Como citar e referenciar este artigo:
NOTÍCIAS,. Opinião Postura aviltante. Florianópolis: Portal Jurídico Investidura, 2012. Disponível em: https://investidura.com.br/noticias/ultimas-noticias/opiniao-postura-aviltante/ Acesso em: 16 abr. 2026