O tema que mais preocupou os gaúchos nos primeiros dias do ano esteve na pauta dos discursos dos parlamentares que ocuparam a tribuna do Plenário 20 de Setembro nesta terça-feira (7), durante a primeira sessão ordinária de 2012. Além de falar na estiagem, deputados também fizeram críticas ao critério utilizado pelo governo do Estado em relação ao concurso para soldados da Brigada Militar e houve a apresentação do novo líder do governo na Casa.
Heitor Schuch (PSB) utilizou a tribuna para abordar o tema da estiagem no Rio Grande do Sul. Disse que algumas regiões ainda estão em situações de seca mesmo com as chuvas que vêm caindo nas últimas semanas. Reivindicou a necessidade de elaboração de um plano. Lembrou que em janeiro do ano passado a Casa já havia feito reuniões para debater esse tema. “É nossa função aqui no Parlamento abraçar esse tema, pois a seca pode não avançar mais nesse ano, só que ela sempre volta”, declarou. Informou que irá propor na Comissão de Agricultura que não se aborde apenas a questão da irrigação, mas também tudo que está relacionado ao tema. “Que nós não esqueçamos esse assunto assim que cair a primeira chuva”, finalizou.
Valdeci Oliveira (PT) falou sobre a missão de coordenar, a partir de hoje, a liderança de governo na ALRS. “Uso o termo coordenador porque ninguém fará nada sozinho. Nosso trabalho na liderança será realizado desde hoje de maneira compartilhada e participativa”, afirmou. De acordo com Valdeci, a base, além de cumprir tarefas recebidas por parte do governo, terá o papel de aconselhar o Executivo quando necessário. Ele também garantiu que trabalhará com respeito a todas as bancada de oposição e citou que contará sempre com o trabalho do vice-líder Ronaldo Santini (PTB). “Me orgulho em representar aqui o Governo Tarso Genro, um governo de coalizão, que tem relação qualificada com o governo Federal”, salientou.
Raul Carrion (PCdoB) agradeceu os colegas da Comissão de Constituição e Justiça que, pela manhã, aprovaram dois projetos de sua autoria: o que assegura aos afrobrasileiros 13% das vagas oferecidas em concursos públicos no Estado e o que agrega na Comissão de Participação Legislativa Popular a tarefa da temática habitacional, passando a se chamar Comissão Mista Permanente de Habitação Popular, Regularização Fundiária e Urbanística e Participação Legislativa Popular. “A questão habitacional ganha relevância cada vez maior, porque é uma questão que não se resolve em um ou dois anos, precisa de um trabalho permanente”, comentou. Carrion ainda registou repúdio ao despejo na comunidade de Pinheirinho, em São José dos Campos (SP). “Uma total violência indiscritível dos governos daquela cidade e do estado de São Paulo. Foram cerca de 9 mil pessoas expulsas com a roupa do corpo, sem direito a sequer retirar seus documentos” observou.
Miki Breier (PSB), falando em nome da Frente Parlamentar dem Defesa do Trânsito Seguro, a qual coordana, detalhou o trabalho realizado para redução de acidente. Mostrou materiais de uma campanha lançada pela Frente, que possui o sloogan “Sou prudente e curto a vida”. Dentre os materiais está uma pulseirinha do motorista da rodada e adesivos que levam os dizeres “Gentileza é fundamental”. Para o parlamentar, a questão da educação é o que realmente faz as cidades avançarem nesse tema. “É preciso que nós nos reeduquemos”, enfatizou. Salientou a importância do poder Legislativo participar desse processo. “Queremos que todos os deputados possam aderir a essa campanha”, concluiu.
Luciano Azevedo (PPS) lamentou a atitude do governo do Estado, que, de acordo com ele, abriu concurso público para 1.400 soldados da Brigada Militar, mas que não contemplará a Região Norte do estado com nenhum soldado. “Quando o concurso estava sendo preparado, existiu em todo o estado uma expectativa grande que se tivessem atendidas as reclamações das regiões, principalmente na Região Norte. Faltam 500 soldados naquela região de 83 municípios. O governo está fazendo uma opção clara e lamentável de deixar descoberta uma região muito grande e importante”, declarou. O deputado questionou ainda a opção do governo em favorecer a Região Metropolitana e informou que foi ao Ministério Público fazer uma representação para que agisse em defesa dessa demanda.
Edegar Pretto (PT) levantou também a questão da estiagem. “É importante termos presentes que essa é uma estiagem que assolou o RS como um todo e que chegou antes das outras, atingindo principalmente as culturas dos pequenos agricultores, em especial o milho”, ponderou. Para ele, é nesse momento que o estado deve estar do lado de quem mais precisa e considerou que medidas importantes vem sendo tomadas pelo governo. “O governador garante que as medidas emergenciais, que são água e alimento tanto para os seres humanos como para os animais não faltará”, afirmou. Ele acredita que, como ultimamente aconteceram algumas chuvas isoladas em algumas regiões, passa-se a sensação que terminou o problema, mas alerta que começam as safras.
Zilá Breitenbach (PSDB) também falando sobre a seca, ressaltou que no governo anterior foi criada uma secretaria específica para Irrigação e afirmou que as ações dessa secretaria não tiveram continuidade no governo atual. “Quando a Secretaria de Irrigação foi assumida pela Secretaria da Agricultora foi descartado o projeto desenvolvido por ela”, criticou. A deputada acredita que, quando se fala em estiagem deve-se ver o problema como uma questão de Estado e não de governo. “Não devemos socorrer os produtores depois que a seca chegou”, disse. Ela lembrou que o que já foi perdido na lavoura do milho afetará outras culturas, como a do frango e a do leite.
Fonte: AL/RS
