?As crianças são as guardiãs da natureza?. Com estas palavras a educadora ambiental paraguaia Rosa Villamayor Orue define o objetivo do trabalho que realiza há mais de 50 anos em Assuncion, no Paraguai. Ela atua no CREA- Centro de Recreação e Educação Socioambiental da ONG paraguaia PRONATURA ? Sociedad Paraguaya para la Protección de la Naturaleza, que tem ações reconhecidas pelo PNUMA, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente.
Rosa veio à Rio+20 com a também educadora ambiental paraguaia, Maria Coronel. Elas querem levar às crianças e jovens do ensino formal e informal novas experiências que incentivem cada vez mais as boas práticas para proteção do meio ambiente. No estande do TRF4, conheceram o trabalho de gestão ambiental da Justiça Federal da 4ª Região, que também realiza ações de conscientização ambiental para magistrados e servidores.
A juíza federal líder dos projetos estratégicos de gestão ambiental e responsabilidade social da Justiça Federal do Rio Grande do Sul (JFRS), Ana Inês Latorre, conversou com as educadoras sobre as dificuldades de mudar hábitos e conceitos no dia-a-dia, em todas as idades, seja em casa ou no trabalho. ?É uma mudança cultural que acontece gradativamente, é uma ação continuada e quem a realiza deve ser bastante idealista e não se apegar a resultados imediatos?, avalia Ana Inês.

Rosa (E) e Maria têm décadas de dedicação à educação ambiental no Paraguai
A engenheira sanitarista que trabalha no Programa Ambiental do Governo de Minas Gerais, Fabiana Santos, também relatou as dificuldades enfrentadas para a implantação de políticas ambientais no setor público. ?Temos o programa na capital Belo Horizonte, em secretarias e órgãos da administração, mas no interior ainda não conseguimos realizar o monitoramento adequado das ações?.
?Também enfrentamos os nossos desafios?, disse o gestor ambiental da Justiça Federal do Rio Grande do Sul, José Antônio Antunes. Ao explicar o trabalho realizado, observou que depois do Tribunal Regional Federal da 4ª Região e da Seção Judiciária gaúcha, agora é a vez das cidades do interior. Atualmente, o projeto está em funcionamento nas cidades de Novo Hamburgo e Santa Cruz do Sul. Ele salienta que o objetivo é implantar em todas as unidades da Justiça Federal no estado.
Na troca de experiências, as estudantes de pós-graduação em Gestão Ambiental na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Fernanda Rodrigues e Ana Carolina Araújo, observaram a diferença entre a teoria e a prática. ?A política ambiental do TRF4 mostra que existem vários outros aspectos a serem abordados, além daqueles que aprendemos em sala de aula?, diz Ana Carolina.
O que mais chamou a atenção das estudantes foi o descarte das lâmpadas fluorescentes, realizado no TRF4 e na JFRS. O material é enviado para empresas especializadas que realizam a descontaminação do mercúrio, evitando a poluição do meio ambiente. ?Na mídia eles dizem que a fluorescente é mais econômica, mas não falam em contaminação?, percebeu Fernanda. Antunes apontou a solução adotada nos países europeus como alternativa: ?por lá o cidadão já tem a obrigação e a cultura de devolver a fluorescente usada na loja onde comprou, que encaminha para descontaminação?. Ele explicou que no Brasil já existe a previsão legal para esta prática, mas não há conscientização nem fiscalização suficientes para reduzir o problema.

Fernanda (E), Fabiana (C) e Ana Carolina em conversa
com gestor ambiental da Justiça

