Da Redação
O senador Jorge Viana (PT-AC), em pronunciamento neta quinta-feira (10), apelou à Advocacia-Geral da União que não recorra da decisão que indeniza em R$ 100 mil os familiares do líder comunista Gregório Bezerra (1900-1983). Ele salientou que, apesar do valor simbólico da indenização e dos 30 anos necessários para a reparação do “erro histórico”, pela primeira vez desde a Lei da Anistia um juiz atribuiu responsabilidade à União pelas privações enfrentadas pela família de um perseguido político no regime militar (1964-1985).
– Somente agora, após anos de luta nos tribunais por um ressarcimento às perseguições, a família de Gregório Bezerra é reconhecida pela Justiça também como vítima das prisões arbitrárias, da execração pública, do preconceito dos vizinhos e das dificuldades de seus descendentes em conseguir um emprego, em levar uma vida com alguma normalidade – disse o senador.
Jorge Viana lembrou que Gregório Bezerra, em defesa de melhorias para o povo, participou de todas as principais lutas populares do país no século 20, o que, afirmou, o tornou “alvo prioritário” do regime instalado em 1964. O senador lembrou que, tanto sob a ditadura de Getúlio Vargas quanto nos governos militares, ser comunista “implicava uma vida de perseguição e de sacrifício”.
– Temos figuras que entregaram sua existência a lutar por liberdade, por democracia, por justiça social. Gregório Bezerra fez isso – ressaltou.
Jorge Viana disse que a Comissão da Verdade não veio para mudar a Lei da Anistia, mas para que “muitas perguntas possam ter respostas”, em especial para as famílias dos desaparecidos durante a ditadura.
Agência Senado
(Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Senado
