Da Redação
Pedro Simon sugere adiamento de leilão de campo de pré-sal
Rollemberg considera espionagem norte-americana na Petrobras de “extrema gravidade”
Randolfe pede suspensão de leilão de campo petrolífero em virtude de espionagem
Após denúncias de espionagem, senadores querem cancelamento de leilão do pré-sal
Presidente da CPI da Espionagem, a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) questionou em Plenário, nesta segunda-feira (9), a oportunidade do leilão do campo do pré-sal de Libra diante das denúncias de que a Petrobras foi alvo de espionagem dos Estados Unidos. Ela citou reportagem exibida neste domingo (8) no programa Fantástico, da TV Globo, avaliando que as denúncias contradizem a negação do governo norte-americano sobre a prática de espionagem econômica.
– Se há um mínimo de insegurança, não é possível manter o leilão onde as cartas já seriam conhecidas por alguns dos concorrentes – afirmou.
Segundo a reportagem – baseada em dados coletados pelo ex-técnico da agência americana de segurança (NSA) Edward Snowden e divulgados pelo jornalista Glenn Greenwald -, uma apresentação para funcionários da NSA, classificada como ultrassecreta, mencionaria a Petrobras entre as empresas que poderiam ser alvo de interceptação em suas redes privadas. Vanessa chamou a atenção para a liderança mundial da Petrobras em extração de petróleo em águas profundas e manifestou temor de que dados estratégicos da empresa sobre cálculos e pesquisas possam estar vulneráveis.
A senadora também leu nota oficial do diretor de Inteligência Nacional dos Estados Unidos, James Clapper, que teria sido enviada à TV Globo em resposta à reportagem do Fantástico. A nota afirma que “não é segredo” a coleta de informações que possam servir aos Estadops Unidos e a seus aliados como “alerta precoce” sobre problemas financeiros de repercussão mundial.
Vanessa argumentou que, diante de tais fatos, o leilão das áreas petrolíferas – previsto para 21 de outubro – só pode ser feito mediante “absoluta certeza” de que os dados do campo de Libra não foram vazados.
Vanessa Grazziotin disse que a espionagem de hoje toma uma forma muito diferente da verificada no passado, mas espera que este “momento-chave” mostre ao Brasil a necessidade de uma política de segurança de informação.
– Qual é a preparação do Brasil, a sétima economia do mundo? Qual é a preparação dos outros países? Temos que ter muita maturidade, muita responsabilidade, mas é preciso fazer o que tem que ser feito – declarou.
Em apartes, Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) classificou a nota de James Clapper como “reconhecimento de culpa” dos Estados Unidos e defendeu o cancelamento do leilão do campo de Libra como única medida cabível diante das denúncias. Waldemir Moka (PMDB-MS) disse que o Brasil precisa aumentar sua preocupação com a proteção de seus sistemas de informação. O vice-presidente da CPI da Espionagem, Pedro Taques (PDT-MT), citou aspectos comerciais e econômicos para chamar de “abilolados” os que imaginam que outros países não espionam o Brasil.
Agência Senado
(Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Senado
