
Integrantes da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Cachoeira reclamaram de “descaso e desrespeito” de bancos, de empresas privadas e de órgãos públicos que foram requisitados a enviar dados decorrentes da quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico dos investigados. Deputados e senadores relataram que os dados estão chegando incompletos e errados.
Para o relator da CPMI, deputado Odair Cunha (PT-MG), a falta de dados completos atrapalha a investigação. Ele informou que a comissão recebeu documentos sobre a movimentação de R$ 13 bilhões, mas os dados referentes a R$ 9 bilhões são inconsistentes.
Segundo o relator, há movimentações com CNPJs que não existem e informações incompletas, por exemplo, sobre horários de operações bancárias. “A solução desse problema é essencial para termos uma investigação profunda da organização criminosa. Essas inconsistências não são pontuais, são muito sistêmicas”, disse Cunha.
A CPMI já enviou dois ofícios ao Banco Central pedindo providências para que oito bancos respeitem as ordens judiciais e enviem os dados corretos e completos à comissão. Os bancos notificados são: HSBC, Safra, Cruzeiro do Sul, BMG, Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, Pine e Banco Rural.
O deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS) afirmou que alguns bancos, mesmo com determinação judicial, não entregaram dados referentes à quebra de sigilo bancário.
Polícia Federal
O envio de dados inconsistentes também ocorre em outros órgãos. O senador Alvaro Dias (PSDB-PR) disse que os vídeos apreendidos pela Polícia Federal na casa de Adriano Aprígio, cunhado de Carlinhos Cachoeira, não chegaram na íntegra à comissão, apesar de o prazo ter vencido na quinta-feira passada.
Parte da filmagem chegou à CPMI nesta segunda-feira (2). Segundo a secretaria da comissão, a Polícia Federal alegou que ainda está organizando o material e o registrando na Justiça antes de enviá-lo aos parlamentares.
“As informações sigilosas, quando chegam, chegam incompletas e lentamente. Há requerimentos que não são acolhidos. Provas que podem ser consideradas por esta CPI não chegam”, disse Alvaro Dias.
Anvisa e telefônicas
A CPMI também já reclamou oficialmente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que ainda não enviou dados pedidos em 22 de maio sobre reuniões entre técnicos do órgão e a Vitapan Indústria Farmacêutica, empresa de Cachoeira.
As telefônicas Claro e Embratel também foram alvo de um “puxão de orelhas” oficial, por não enviarem os dados de sigilo telefônico no formato pedido.
Só no mês de junho, a CPMI encaminhou 12 ofícios na tentativa de conseguir dados completos para a investigação. Metade desses documentos foi para pedir a íntegra de relatórios, gravações telefônicas e vídeos das operações Vegas e Monte Carlo, da Polícia Federal.
Fonte: Portal Câmara dos Deputados
