A rotina é mesmo brutal. Os compromissos profissionais pipocam. A falta de tempo é uma constante. Mesmo assim é imperioso que reflitamos por segundos sobre algumas barbaridades que ultimamente se avolumam sobre nossos olhos e que mesmo assim se banalizam sem muitos questionamentos porque afinal de contas temos muito afazeres imediatos . Mas pensemos juntos: é ou não é uma barbaridade ver que a maioria do Congresso Nacional aprovou um Código Florestal que em suma garante impunidade para quem devasta a natureza e o que menos pratica é a proteção ambiental? O Código Anti-Florestal aprovado neste ano é bem mais que um tapa na cara dos brasileiros. É um espancamento na nossa capacidade de indignação. Ora, o Brasil é o país que tem as maiores bacias hidrográficas do planeta. É a nação que mais florestas detêm. É onde existe a maior biodiversidade. O natural e óbvio seria nos orgulharmos disso e criar condições para essa riqueza ambiental seja escudada tal como uma mãe protege um filho. Pois a maior parte do Congresso Nacional, pensou o contrário e aprovou uma lei que desdenha do nosso patrimônio natural, animal e ambiental. Aprovou uma lei que traduzindo para o popular diz o seguinte: viva a serra elétrica. A sustentabilidade que se lixe. O futuro do país e do planeta que aguarde. O momento é de lucrar, extrair, sugar, expandir, agregar. Proteger é discurso de ecologista e de rebeldes sem causa. Ainda bem que esse projeto ao contrário do que alguns poderiam imaginar não foi banalizado. Essa tentativa mexeu com os brios de muita gente que não se lixa para o meio ambiente e com o futuro. Ainda bem que no comando do Brasil existe uma presidenta que não se dobra à pressões econômicas ou políticas e que fez 12 vetos e encaminhou 32 alterações ao texto original aprovado no Congresso. Ainda bem que o partido que defendo e integro capitaneou junto com outros forças políticas e populares uma contundente manifestação nacional contra o projeto da serra elétrica. Não existe economia sem sustentabilidade, não existe desenvolvimento sem proteção ambiental e a agricultura brasileira só continuará forte se for preservado o meio ambiente. Por isso, engrossamos o coro do movimento Veta Dilma, participamos dessa ação e, com apoio de quem é comprometido com este país, foi subjugada esta tentativa irresponsável de fazer do Brasil um país que assassina o seu meio ambiente. O Veta Dilma se transformou agora em um Valeu Dilma.
* Deputado estadual (PT) e líder do governo na Assembleia Legislativa
Fonte: AL/RS
