Ana Affonso observou que o governo já tem aplicado muito em infraestrutura, mas em muitas cidades há UPAS prontas e fechadas porque os prefeitos não encontram médicos para contratar e atender às demandas da população mais carente. “Lá na ponta, onde a população clama por atendimento, muitas vezes não é a obra que está faltando, é o profissional”. Ela lembrou que o país tem um déficit de médicos, com 22 estados onde a média destes profissionais é abaixo da média nacional, sendo que em cinco deles a média é de menos de um médico por mil habitantes, em 1.900 cidades a proporção é de um para três mil habitantes e em outras 700 cidades brasileiras não há nenhum médico.
Carência
Até mesmo os estados com mais profissionais, como o Rio Grande do Sul , sofrem desníveis regionais marcados pela alta concentração dos médicos nos grandes centros urbanos e carência nas periferias e cidades menores. A deputada ressaltou que está sendo dada uma grande oportunidade para os estudantes de medicina trabalharem no SUS, que atende a 80% da população, recebendo ainda uma bolsa federal de R$ 10 mil mensais: “Fico me perguntando que mal há em que os nossos estudantes de medicina contribuam por dois anos na prática nos nossos hospitais, se isso vai de fato contribuir para sua formação profissional e, com certeza, vai tornar mais humanizada a relação do médico com o paciente”, ponderou.
Na falta de médicos brasileiros, ela defendeu que sejam contratados também médicos estrangeiros porque, segundo Ana Affonso, a saúde pública não se faz apenas com as estruturas físicas, que têm recebido muitos investimentos oficiais. É preciso mais um passo, reforçou, no sentido da qualificação da saúde, e isto diz respeito à contratação de recursos humanos, dos especialistas da área, que são os médicos, os técnicos, os enfermeiros e auxiliares. Este programa do governo federal, acrescentou, vem para superar a principal dificuldade do sistema público de saúde em todo o país: “Não temos médicos suficientes para atender a população brasileira”.
*Com colaboração de Denise Ritter
Fonte: AL/RS
