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Por uma Fenadoce que dure o ano todo


 Criada em 1986, pelo prefeito Bernardo de Souza, a Feira Nacional do Doce está em sua 20ª edição, descontando-se os anos em que não foi realizada, até tornar-se um evento anual, a partir de 2000, organizado pela Câmara de Dirigentes Lojistas de Pelotas. Durante 19 dias, a tradição doceira da cidade predomina no Centro de Eventos, e atrai um público interessado também nos shows e nos demais produtos em exposição e à venda. Balanço iniciou divulga a venda de 1,2 milhão de doces e a presença de 180 mil visitantes até este domingo.
 
É um momento especial para Pelotas, que se torna polo turístico do Rio Grande do Sul, que aparece na mídia regional, estadual e nacional e que resgata, a cada ano, uma tradição que não é só cultural, mas também econômica: os doces que enfeitavam as mesas dos senhores das charqueadas sustentam toda uma cadeia produtiva até chegar aos balcões das confeitarias e adoçar os paladares mais exigentes.
 
Este ano, um grupo de doceiras comemora ainda mais a realização da Feira: obtiveram o selo de identificação geográfica, que atesta ao consumidor a procedência do produto, ou seja, a garantia de que o doce foi feito mesmo pelos confeiteiros de Pelotas. O selo foi concedido pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial e só pode ser usado pelos doceiros cadastrados na Associação dos Produtores de Doces de Pelotas.
Queremos cumprimentar aos profissionais que conquistaram este selo, e esperamos que os demais milhares de doceiros espalhados por Pelotas também possam continuar comercializando seus doces com o mesmo sucesso de sempre.
 
Os organizadores da Fenadoce calculam que até o encerramento mais de 300 mil pessoas visitarão os pavilhões do Centro de Eventos. Durante a semana, quando o movimento diminui, crianças de escolas públicas tem acesso livre e ganham um doce.
 
Gosto de lembrar do sonho do prefeito e deputado socialista Bernardo de Souza, criador da Fenadoce, que via neste evento a possibilidade de fortalecimento da iniciativa privada local ao mesmo tempo em que estivesse sendo cumprida sua função social, com a geração de renda, emprego e desenvolvimento econômico.”
 
Seu entusiasmo com a Feira era tanto, que, ao participar de uma audiência pública na Assembleia Legislativa, a respeito do destino da Feira Nacional de Calçados, a Fenac, de Novo Hamburgo, em 1998, Bernardo iniciou suas palavras assim: “Senhor presidente, senhores deputados, senhores convidados, a maior festa do mundo é a Fenadoce de Pelotas, depois é que falamos nas outras”.
 
Hoje, consolidada como um dos grandes eventos do Estado, a Feira pode ultrapassar, sem dúvida, o período de sua realização e movimentar a cidade durante todo o ano. Pelotas ainda carece de uma verdadeira Rua do Doce, que reúna as doceiras artesanais e familiares, igualmente responsáveis pela fama que a cidade herdou de Capital Nacional do Doce. Hotéis e restaurantes poderiam firmar convênio com o Serviço Nacional da Indústria – Senai, para a criação de uma Escola do Doce, cujos alunos seriam egressos da rede pública de ensino e cujos doces fariam parte do cardápio daqueles estabelecimentos.
 
Se nos aventuramos em oferecer sugestões, é porque vemos a possibilidade de a Fenadoce ultrapassar os limites da comercialização dos produtos oferecidos em seus pavilhões, para motivar novos caminhos que contribuam com o desenvolvimento de Pelotas.

 

 

* Deputado estadual (PSB)

Fonte: AL/RS

Como citar e referenciar este artigo:
NOTÍCIAS,. Por uma Fenadoce que dure o ano todo. Florianópolis: Portal Jurídico Investidura, 2012. Disponível em: https://investidura.com.br/noticias/alrs/por-uma-fenadoce-que-dure-o-ano-todo/ Acesso em: 24 out. 2026