O deputado Catarina Paladini (PSB) divulgou nota, manifestando seu repúdio à aprovação da emenda do deputado Valdeci Oliveira, do PT, relativa ao projeto 276/2011, de sua autoria, que trata de políticas públicas para os autistas. Segundo Catarina, a emenda “representa um retrocesso em relação à nossa proposta original.., sem soluções práticas para os problemas que envolvem o autismo em nosso Estado”.
Na íntegra, a nota do deputado Catarina Paladini:
“Muitas vezes a política nos envergonha pela omissão. Um exemplo brutal disso foi dado na última terça-feira (10), quando a Assembleia Legislativa aprovou o Projeto de Lei 276/2011, de minha autoria, que dispõe sobre a condição das pessoas com diagnóstico de autismo no estado do Rio Grande do Sul. O que deveria ser motivo de orgulho, para nós tornou-se decepção – já que uma parte considerável do texto original foi suprimida pela emenda do deputado Valdeci Oliveira (PT). Emenda que representa um retrocesso em relação à nossa proposta original, inserindo-a em um emaranhado de solenidades retóricas e trâmites burocráticos, sem soluções práticas para os problemas que envolvem o autismo em nosso Estado”.
“Por isso, evidentemente, eu e a bancada do Partido Socialista Brasileiro (PSB) votamos contra esta emenda parlamentar. Afinal, com um misto de insensibilidade e omissão, o parlamento gaúcho colocou-se na contramão das demandas populares e, infelizmente, silenciou-se diante do ambiente caótico que vivem os autistas e suas famílias no Rio Grande do Sul. Nosso projeto, na essência, foi esvaziado – ou “castrado”, conforme expressão utilizada pelo facilitador da Rede Gaúcha Pró-Autismo, Nelson Kirst. Justamente no momento em que buscávamos articular entidades, familiares e poder público para colocar o tema entre os grandes debates do Estado, quando lutávamos pela aprovação de garantias mínimas para esta significativa parcela da população, fomos derrotados em nossa própria casa”.
“A mesma casa que recebeu, no dia 29 de junho deste ano, dezenas de pessoas em uma das reuniões mais produtivas para tratar a questão do autismo no Rio Grande do Sul, virou as costas para os relatos emocionados destas pessoas. O governo, por sua vez, perdeu uma oportunidade histórica de transformar o nosso Estado em modelo para os demais, ao garantir que não seja negado aos autistas e suas famílias o direito irrevogável de participação plena em nossa sociedade, fazendo com que se convertam em membros auto-suficientes e produtivos. Infelizmente, com a aprovação desta emenda, nos resta a sensação de impotência”.
“Enfim, nossa concepção de política é simples: sabemos que nossa obrigação é motivar a construção de uma sociedade justa e solidária, com participação plena e efetiva de todos. A partir de agora, no entanto, nossa luta torna-se ainda mais ambiciosa no sentido de rearticular a sociedade civil e pressionar o poder público para financiar e proporcionar os recursos necessários para atender de forma integral as pessoas com diagnóstico de autismo e seus familiares. E, sobretudo, nosso mandato continuará trabalhando para providenciar alternativas concretas no que diz respeito à legislação gaúcha”.
Fonte: AL/RS
