Para a parlamentar, que preside a Comissão de Educação e Cultura da Assembleia Legislativa, o importante é encontrar uma política de redução dos riscos, proteger a família, que o Estado tenha fiscalização e regras adequadas e que se encontre saídas para a reinserção social do dependente, após a recuperação.
“Se temos esta realidade, hoje, é porque falharam na educação lá atrás, é porque o ser humano é tratado como mero objeto de consumo pela mídia, é porque temos uma cultura machista que violenta as mulheres e mães e faz delas meros objetos”. Segundo ela, este é um tema de saúde pública e não existem receitas prontas para combater o problema. “Precisamos de uma mudança de cultura na sociedade, deixarmos de ser hipócritas para poder vencer esta batalha contra as drogas”, disse.
Consumidor e objeto
Combater o tráfico é, sim, importante, mas é preciso investir em políticas de prevenção e em educação, opina Ana. “Nossos jovens, hoje, são o resultado da falta de investimentos na educação e do modelo capitalista que vivemos, onde o indivíduo, o cidadão, é visto como mero consumidor de produtos”. A escola, enfatiza, precisa ser atraente ao jovem, oferecer opções de educação, cultura, esporte e lazer; mais adiante, ele precisa encontrar opções no mercado de trabalho e ser qualificado tecnicamente.
Para a deputada, a propaganda massiva do uso de álcool na TV, incluindo atletas e esportistas fazendo propaganda de bebidas alcoólicas e mulheres tratadas como objeto de desejo e consumo, se reflete nas casas e na escola. “Sou professora, durante 20 anos estive em sala de aula e conheço esta realidade. Para disputar este jovem para si, a escola precisa ser atraente e de turno integral para segurá-lo e tirá-lo das ruas e de outros convívios nefastos. Também precisamos investir em qualificação e escolas técnica para oferecer opções de trabalho no futuro”.
Fonte: AL/RS
