Como explica Tortelli, vice-presidente da Comissão de Saúde, desde 2008 o país ocupa a liderança mundial no consumo de agrotóxicos com cerca de 20%, sendo responsável por 5% da área plantada no planeta. “95% das propriedades rurais gaúchas usam agrotóxicos e, desse total, cerca de três quartos dos agricultores tem contato direto com o veneno. São muitos os casos de intoxicação e problemas sérios de saúde”, afirma.
O parlamentar destaca que a contaminação não se dá apenas no campo, mas nos centros urbanos também. Estudos mostram que um terço dos alimentos está contaminado e que o consumo prolongado ao longo de 20 anos pode provocar doenças como câncer, malformação congênita, distúrbios endócrinos, neurológicos e mentais. “Há, inclusive, registros de agrotóxicos no leite materno”, diz. Nos últimos dez anos o mercado mundial de agrotóxicos cresceu 93%, enquanto no Brasil o percentual mais do que dobrou, chegando a 190%. Além disso, 20 dos 50 tipos de agrotóxicos mais utilizados no Brasil são proibidos na Europa e outros países da América Latina.
Encaminhamentos
Conforme Tortelli, entre os encaminhamentos do evento está a difusão de informações à população. A proposta é realizar atividades no interior do estado visando alertar as pessoas, além de proporcionar um diálogo entre produtores e consumidores. “São as duas pontas do processo, os dois lados mais afetados pelo uso abusivo de agrotóxicos”, afirma. Para isso, além de atividades no interior, a meta é a produção de materiais para escolas e entidades.
Outra proposta é ampliar a divulgação de produtos agroecológicos, produzidos sem o uso de agrotóxicos, além da criação de um grupo de trabalho ou subcomissão para ampliar e dar continuidade ao debate sobre o tema. “Também queremos ampliar o engajamento pela ampliação do quadro de pessoas que fiscalizam a questão da Agência Nacional de Vigilância Sanitária”, finaliza Tortelli.
Fonte: AL/RS
