Visão Liberal

Balanço da derrota do Aécio Neves

É necessário agora menos analisar a vitória apertada de Dilma Rousseff do que a derrota de Aécio Neves. Nunca o PT esteve tão próximo da derrota eleitoral, nunca as circunstâncias estiveram tão propícias ao projeto do PSDB, nunca foi tão fácil. O que aconteceu?

Fácil? Sim. Estamos em meio a uma crise econômica, que se agrava dia a dia. Estamos em meio ao retorno da inflação, que se amplia dia a dia. Estamos em meio ao sucateamento final da indústria nacional, patrimônio dos brasileiros, que os maus governo do PT estão levando ao desaparecimento. Estamos em meio a uma crise nas relações exteriores, com o Brasil ignorado pelos grandes mercados, principalmente pelos EUA. E podemos agora deixar de receber investimentos estrangeiros por conta do continuísmo catastrófico do PT.

Por que a crise não virou voto? Em parte, virou. Pela primeira vez vi o empresariado apoiar a oposição de forma franca. Vi os meios de comunicação deixarem de lado o poder de compra do governo e ser simpáticos à oposição. Vi mesmo comunistas históricos, engajados desde sempre com o PT, declarar voto em Aécio Neves. É assim que temos que compreender as razões que levaram São Paulo, confirmando a minha própria expectativa, a dar quase 65% dos votos válidos a Aécio Neves.

O PT sempre proclamou o continuísmo naquilo que chama de “mudanças”, o triunfo final da revolução gramsciana, que ora se encontra no seu apogeu. Agora Dilma Rousseff tentará o passo seguinte, bolivarizar de vez o STF, as Forças Armadas e levar adiante seu decreto de institucionalização dos sovietes governando o Estado brasileiro. E, claro, aprofundar a satânica política de aborto, supostamente em benefício das mulheres, e também sua política oficial de racismo e gaysismo, destruindo de vez os valores civilizacionais.

A longa revolução gramsciana bem sucedida destruiu a camada de eleitores conservadores, que ficaram reduzidos a enclaves católicos e protestantes.  E a responsabilidade maior por isso não é do PT, é de Fernando Henrique Cardoso e do próprio PSDB, que primeiro chegou ao poder, com Franco Montoro. Essa revolução inculcou a falsa tese do igualitarismo, germe da luta de classes, que ajudou, ainda uma vez, o PT a se eleger. O fato é que o Brasil agora se encontra numa sinuca histórica, da qual não parecer haver saída fácil.

O PT errou também e seu principal erro foi uma escolha, a de fazer o discurso do “nós” contra “eles”, apostou na luta de classes. De algum modo, isso favoreceu seus votos nas camadas mais pobres da população, tanto dos Estados mais pobres como também dos mais ricos. O PT ainda teve 35% dos votos em São Paulo, ganhou no Rio de Janeiro e em Minas Gerais. Mas esse discurso descolou o PT da elite e das classes médias urbanas, o que lhe custou uma redução significativa na bancada federal, no Senado e nas eleições de governadores. Coloco a eleição de Fernando Pimentel mais como crédito dos erros do PSDB em Minas Gerais, com a escolha de um nome inadequado como candidato a governador e no descuido fatal que foi achar que, por ser da terra, a eleição lá estava garantida.

O fato é que o PT virou o partido dos grotões. Ele agora está num dilema, pois para recuperar o eleitorado de classe média teria que mudar seu discurso. Se o fizer, perderá o eleitorado lumpem. Coisas da vida.

A propaganda eleitoral do PT, desde o início, foi superior a do PSDB. Vi profissionalismo e competência e uma dose descarada de malcaratismo. Levaram Maquiavel às últimas consequências e fizeram da máxima de que “o feio em eleição é perder” seu norte. A imoralidade da campanha petista não teve limites.

Um fato a ser registrado tristemente é que o eleitorado não se sensibilizou com as denúncias de corrupção, no atacado, na Petrobras, denunciada por Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef. Talvez nossa gente saiba o que todo cientista político sabe, que política é corrupção, em maior ou em menor grau, e tanto faz, desse ponto de vista, quem está lá em cima. Mas o que veio a público mostra que a corrupção, sob o PT, mudou de escala e virou uma política de Estado, com o aparelhamento completo da máquina. A corrupção no PT tem como meta financiar a desejada revolução marxista-leninista, mas isso a gente miúda não sabe. A vitória de Dilma Roussef foi a vitória do famigerado Foro de São Paulo, que continuará mandando no Continente Sul-americano, financiado pelo PT.

Os erros da campanha de Aécio Neves foram múltiplos. Errou na escolha do nome para governador em Minas Gerais, errou por não fazer campanha mais assíduo no seu Estado de origem, errou em não peregrinar pelo Nordeste e fazer um discurso “social” mais consistente. A belíssima votação que teve em São Paulo foi menos mérito seu e do seu marqueteiro do que do generoso engajamento do PSDB paulista que, ao contrário do que houve em Minas Gerais no passado, não traiu e foi às ruas pedir votos. A união do PSDB de São Paulo é que fez a diferença, a despeito da má qualidade da campanha no plano nacional.

Não adianta tentar impingir o crédito negativo das eleições aos eleitores do Nordeste, como o fez Diogo Mainardi ontem, no programa Manhattan Connection. Isso é puro bairrismo e mesmo racismo, que bem conheço na pele, pois cearense que sou vivo em São Paulo há quarente anos. Basta lembrar que mesmo São Paulo, há dois anos, elegeu Fernando Haddad como prefeito. E que Tarso Genro, mesmo derrotado, é ainda governador do Rio Grande do Sul, mesmo depois de, ministro da Justiça, tem acoitado o terrorista Cesare Basttisti, contrariando acordos internacionais e colocado o Brasil na rota de abrigo de perigosos procurados internacionais. Eleição é caleidoscópio e o eleitorado se comporta mirando os dados do dia. Não podemos desprezar o carisma do ex presidente Lula, que em Pernambuco arrancou para Dilma Rousseff uma votação espetacular. Fez o que Aécio Neves deveria ter feito em Minas Gerais.

A oposição, todavia, saiu fortalecida. A bancada federal do PT foi fortemente reduzida, tendo inclusive perdido senadores emblemáticos, como Eduardo Suplicy. O Congresso nunca foi tão oposicionista. E vimos o crescimento do PMDB, que agora se tornou uma força capaz de pleitear a cabeça de chave numa próxima eleição. O PT terá muitos problemas para construir a governabilidade e não poderá levar à frente sua loucura comunista com facilidade. O equilíbrio dos votos no segundo turno para a Presidência da República deu claro sinal de que o PT não poderá abrir as asas. O Congresso, como a imprensa livre, é que será o contrapeso aos arroubos revolucionários do PT. Este precisaria de um golpe de Estado para ir em frente, de forma livre, na sua revolução.

Eu me senti muito frustrado pela derrota, que para mim foi quase pessoal. Eu me engajei na campanha e sei que muitos votos eu trouxe para a candidatura Aécio Neves. Ontem ao meio dia eu acreditava na sua vitória, tornando a apuração final um soco no estômago para mim. Mas se não deu, bola para frente. Outras eleições virão. Espero que tenhamos novamente a oportunidade de expulsar o PT pelo voto, coisa que parece bem difícil. Mas temos uma crise econômica dura pela frente e ela irá cobrar seu caro preço ao governante.

Quem viver verá!

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Como citar e referenciar este artigo:
CORDEIRO, Nivaldo. Balanço da derrota do Aécio Neves. Florianópolis: Portal Jurídico Investidura, 2014. Disponível em: https://investidura.com.br/colunas/visao-liberal/balanco-da-derrota-do-aecio-neves/ Acesso em: 16 jul. 2024