A recessão vivida pelo Brasil entre 1975 e 2002 trouxe a desestruturação do mercado de trabalho. Com desindustrialização, a falta de apoio à agricultura familiar e o fato de se ter deixado o ensino profissionalizante e técnico sem investimentos, priorizando-se a expansão do ensino universitário, especialmente o privado, estão produzindo seus efeitos.
No Paraná temos aproximadamente 300 mil estudantes universitários nas universidades públicas e privadas, enquanto os postos de trabalho de nível superior completo e incompleto nas empresas são de apenas e tão somente de 360 mil. E nas regiões metropolitanas temos aproximadamente 23% dos jovens e dos pobres, desempregados segundo o IPEA.
Em conseqüência da recessão, com a retomada do crescimento, 80% dos empregos gerados pagam no máximo 2 salários mínimos. E com o uso criminoso da rotatividade (demissão imotivada) da mão de obra, o setor produtivo trouxe o exército de reserva dos miseráveis para o mercado de trabalho para receber menores salários e demitiu os trabalhadores com maiores salários. Ou seja, as perspectivas da juventude universitária e pobre das periferias são muito ruins. Não é por acaso a entrada dos jovens no mundo das drogas, como paliativo do mal estar pela falta de perspectiva na vida ou como meio de sobrevivência.
E como estamos vivendo uma crise cambial e o Ministério do Desenvolvimento declara estar preocupado com o processo de desindustrialização do país, estamos nos especializando em sermos exportadores de commodities/matéria prima, sem agregar valor a nossa economia. Com isso, as perspectivas em médio prazo são ruins. Somente com o crescimento econômico continuado, com maior industrialização, agregação de valor aos nossos produtos e a proibição do uso criminoso da demissão imotivada, será possível uma geração de emprego decente com melhores salários, dando uma perspectiva melhor para a juventude.
Enquanto isso não acontecer entenda: a culpa do desemprego ou de ganhar pouco, não é do seu filho ou filha. Assim neste momento de sua vida resta compreender a situação e lhe dar apoio, amor e carinho. A culpa não é deles!
