Sociedade

Elogio a José Batista de Alvarenga Coelho

 

Os gigantes da Oratória têm o dom da grandiloqüência, muitas vezes transformando, pela força de suas palavras candentes, pigmeus em gigantes.

 

Assim, têm-se visto muitas personalidades medíocres e até homens e mulheres altamente nocivos ao meio social elevados imerecidamente aos píncaros do merecimento pela posteridade que não conheceu sua verdadeira face negativa.

 

Mas, para se tratar da pessoa do querido colega JOSÉ BATISTA DE ALVARENGA COELHO, falecido ontem, dia 5 de novembro deste ano de 2006, ninguém precisa ser dotado de eloqüência, pois seu elogio é fácil de se fazer: é como falar da claridade de um dia ensolarado.

 

Como dizia MOHANDAS GANDHI, o mahatma da Índia, minha doutrina é a minha vida, afirmando que tinha feito apenas viver a fraternidade plena.

 

O prezado companheiro – de quem tive a felicidade de ser contemporâneo na Faculdade de Direito da Universidade Federal de Juiz de Fora, que foi meu colega no Ministério Público mineiro e, por fim, colega na Magistratura mineira – foi também meu padrinho de casamento.

 

É fácil resumir a vida do amigo em três expressões: vasta cultura geral, integridade moral e profundo amor a Minas Gerais.

 

Dedicado aos estudos desde seus primeiros passos na vida escolar, foi um dos mais destacados alunos da Faculdade de Direito do nosso tempo.

 

Como delegado de polícia estadual, promotor de justiça e magistrado destacou-se pela sua qualidade técnica, procurada pelo amor ao estudo.

 

Quanto à sua lisura moral, até os que eram contrariados em seus interesses curvavam-se frente às ponderações honestas do profissional que nunca admitiu qualquer oscilação em detrimento do Justo, mesmo que desagradasse aos seus próprios superiores hierárquicos.

 

Conhecedor profundo da História de Minas Gerais, escreveu elucidando detalhes pouco conhecidos da vida deste maravilhoso Estado brasileiro…

 

Na missão de ser justo vinte e quatro horas por dia, muitas vezes arranhou os melindres de quem esperava palavras doces ou ambíguas.

 

Mas ninguém pode acusá-lo de não ter sido fraterno, sempre.

 

Para encerrar, poderia dizer, parodiando SANTO AGOSTINHO quando se referia a SÃO PAULO, que foi um verdadeiro leão de Deus, pela sua combatividade sem crueldade. Poderia dizer que seu nome de batismo deveria ter sido JOÃO BATISTA, pela coragem de enfrentar as irregularidades consolidadas. Poderia compará-lo a MARCO TÚLIO CÍCERO, por apontar o dedo no nariz de quem tripudiasse da Justiça.

 

Mas podemos resumir tudo em uma forma mais prosaica.

 

Nosso amigo viveu coerente com sua consciência: essa é a contribuição mais importante que alguém pode dar. Nunca usou dois pesos e duas medidas. Não se intimidou frente a ninguém. Chegou, viu e venceu!

 

Seu exemplo merece ser divulgado.

 

 

* Luiz Guilherme Marques, Juiz de Direito da 2ª Vara Cível de Juiz de Fora (MG).

Como citar e referenciar este artigo:
MARQUES, Luiz Guilherme. Elogio a José Batista de Alvarenga Coelho. Florianópolis: Portal Jurídico Investidura, 2009. Disponível em: https://investidura.com.br/artigos/sociedade/elogio-a-jose-batista-de-alvarenga-coelho/ Acesso em: 13 abr. 2024