Sociedade

Au revoir Carnaval!


“Os momentos de
intensa felicidade são, por natureza, fugazes.

Se todo dia é
Carnaval, acabou o Carnaval.

A garota de Ipanema é,
por definição,

a ‘que vem e que
passa’, jamais a que fica.”

(Eduardo Giannetti da
Fonseca)

Perguntei a um amigo
como havia se saído em uma entrevista de seleção para a qual fora convocado e
que aguardava com grande ansiedade. Ele me respondeu resignado: “Foi
desmarcada. Agendaram para depois do Carnaval”.

Almoçando com um
empresário, notei sua apreensão com as vendas neste mês. “Todos os anos é a
mesma coisa. Clientes ativos deixam para repor estoques apenas em março e novos
clientes preferem negociar orçamentos após o Carnaval”, relatou-me.

Reinício das aulas na
faculdade. Entro na sala e sinto-me como em um auditório, tamanho o número de
cadeiras vagas. Presentes apenas 30% dos alunos, que me confortam: “Primeira
semana de aula é meio devagar mesmo, professor. Depois do Carnaval estarão
todos aqui”.

Oportunidades de
trabalho não preenchidas, produtos não fabricados, aulas não ministradas,
conhecimento não compartilhado.

Há uma doença
congênita que assola nosso país. Uma doença que ceifa empregos, impede o
crescimento da renda e reduz o dinamismo da Economia, prejudicando toda a
sociedade, mas que se reveste como algo bom, travestido com a toga da alegria.
Esta doença atende pelo nome de Carnaval.

Anualmente contamos
104 dias correspondentes a sábados e domingos e outros 15 dias, em média,
representados por feriados prolongados. Ou seja, quase um terço do ano onde
grande parte da população não trabalha, não produz.

É evidente que há uma
miríade de pessoas que exercem suas atividades profissionais aos sábados e, até
mesmo, aos domingos. Mas estou fazendo uma abstração para sinalizar que não há
mais tempo a perder para quem se propõe a construir uma nação mais próspera e
justa. Como diria Machado de Assis, “Nós matamos o tempo, mas ele nos enterra”.

É fato notório que,
exceção feita à indústria do turismo, muitos setores são prejudicados pela
ocorrência do Carnaval. Já experimentamos uma retração natural no período entre
o Natal e o Ano Novo. Que bom seria se o Carnaval acontecesse logo na primeira
semana de janeiro! Assim, teríamos um recesso coletivo que convidaria o país a
retomar com pujança suas atividades a partir, aproximadamente, do dia 10 de
janeiro.

Meu amigo desempregado
terá que aguardar… para depois do Carnaval.

Meu colega empresário
terá que suportar suas contas a pagar até… depois do Carnaval.

Minhas aulas somente
poderão ser apresentadas… após o Carnaval.

Que se preserve a
“alegria do povo”. Que aproveitemos os imprescindíveis momentos de ócio e
lazer. Mas precisamos refletir sobre os benefícios de uma antecipação da
comemoração do Carnaval. 

* Tom Coelho é educador, conferencista e escritor com artigos
publicados em 15 países. É autor de “Sete Vidas – Lições para construir seu
equilíbrio pessoal e profissional”, pela editora Saraiva, e coautor de outros
quatro livros. Contatos através do e-mailtomcoelho@tomcoelho.com.br.
Visite: www.tomcoelho.com.brwww.setevidas.com.br.

Como citar e referenciar este artigo:
COELHO, Tom. Au revoir Carnaval!. Florianópolis: Portal Jurídico Investidura, 2011. Disponível em: https://investidura.com.br/artigos/sociedade/au-revoir-carnaval-2/ Acesso em: 07 jul. 2026