Sociedade

A Campanha da AMB Pela Adoção

 

A Associação dos Magistrados Brasileiros – AMB lançou uma campanha em favor das crianças que vivem em abrigos, com o título MUDE UM DESTINO.

 

Eu gostaria de comentar alguma coisa sobre o assunto, sem nenhuma idéia de criticar a campanha e quem a idealizou e assumiu o trabalho idealista e respeitável de levá-la adiante. Move-me a redigir estas observações a pura intenção de chamar a atenção das pessoas em geral para o importantíssimo tema da adoção.

 

I) DUAS APARENTES CRÍTICAS:

 

1) No logotipo da campanha vêem-se duas figuras humanas: um adulto e a criança.

 

Na verdade, quando ocorre a adoção por uma única pessoa, isso já representa uma imensa vitória sobre o egoísmo que ainda nos assinala como seres humanos em evolução. O futuro daquela criança assume um rumo promissor, com horizontes que se abrem para a felicidade.

 

Todavia, se um casal resolve assumir o encargo gratificante de tornar-se pai-mãe daquela criança, os benefícios para esta última tornam-se muito maiores justamente pela vivência que ela assimilará de uma família completa.

 

O logotipo, creio eu, poderia ter sido idealizado com uma figura infantil e duas adultas.

 

2) O documentário (em dvd) divulgador da campanha tem o nome O QUE O DESTINO ME MANDAR.

 

Realmente, é muito importante a desvinculação entre a Religião e o Estado. Verdadeira conquista da civilização, frente ao radicalismo e abusos cometidos por religiosos em todos os quadrantes do mundo. Não é aceitável que determinada corrente religiosa seja considerada oficial numa região ou país, em detrimento das demais. Nem também se deve impedir alguém de exercer seu direito da não ter fé alguma.

 

Por isso, talvez, preferiu-se a expressão DESTINO.

 

Na verdade, não importam as palavras, mas sim a realização pessoal que alcançará a criança e os pais.

 

Eu, pessoalmente, trocaria a expressão DESTINO por outra, como, por exemplo, DEUS. Mas, há quem não acredita nele…

 

II) TRÊS NOTAS EXPLICATIVAS:

 

1) A adoção é um instituto jurídico muito antigo.

 

Na verdade, era muito utilizada na Roma antiga por pessoas dos variados níveis sociais. Há casos, inclusive, de imperadores que eram filhos adotivos.

 

2) A adoção não inferioriza ninguém.

 

Não se justifica nenhum preconceito contra os filhos adotivos, pretendendo qualificá-los como inferiores aos filhos chamados naturais. Tanto os pais quanto os filhos não devem se deixar impressionar pela mentalidade medieval de quem inveje sua realização pessoal…

 

3) O número de adoções aumenta a cada dia.

 

No Brasil, houve época em que quando as pessoas não conseguiam Ter filhos, utilizavam o expediente de trazer para junto de si os chamados filhos de criação, que não tinham o status de filhos por causa do preconceito que grassava…

 

Atualmente, com as novas luzes da Cultura, que espancam os temores obscurantistas, ninguém tem medo de ser feliz.

 

Seguindo a evolução nesse ritmo, daqui a algum tempo, esse instituto passará a ser tão corriqueiro que cairá no lugar comum, como muitas outras coisas que eram consideradas estranhas e agora ninguém as nota.

 

Trabalhemos pela felicidade das pessoas e para fazer o futuro chegar mais depressa!

 

 

* Luiz Guilherme Marques, Juiz de Direito da 2ª Vara Cível de Juiz de Fora (MG).

Como citar e referenciar este artigo:
MARQUES, Luiz Guilherme. A Campanha da AMB Pela Adoção. Florianópolis: Portal Jurídico Investidura, 2009. Disponível em: https://investidura.com.br/artigos/sociedade/a-campanha-da-amb-pela-adocao/ Acesso em: 04 jul. 2026