Política

O manicômio do déficit público no Brasil

O manicômio do déficit público no Brasil

 

 

Ricardo Bergamini*

 

 

“O Brasil é uma eterna usina geradora de déficit público”. (Roberto Campos).

 

 

 

Por deformação de origem cultural os brasileiros sofrem de duas graves doenças sociais, quais sejam:

 

“A paixão está sempre acima da razão” e o “Desejo está sempre acima da realidade”. Com essas duas distorções sociológicas está formado o caldo de cultura para nossa eterna tragédia econômica, social e política.

 

Pelos desvios citados passamos a criar chavões simbólicos para sustentar as mudanças de “moscas”, tais como: Nova República, Brasil Novo, Fiscal do Sarney, Caçador de Marajás, Avança Brasil, Fome Zero, como se todas as nossas tragédias passada, em um passe de mágica, pudessem ser apagadas com esses simbolismos que prometem sempre mudanças radicais, sem nenhum compromisso com o nosso passado melancólico. É o novo que está vindo: sem dívidas, sem desemprego, sem corrupção, sem o desastre do balanço de pagamentos, sem os juros estratosféricos. Tudo foi zerado. É uma nova era de prosperidade e progresso.

 

Em economia existe um axioma que diz: “A moeda má expulsa a boa”, a qual poderíamos muito bem plagiar para o campo social, político e econômico do Brasil, passando a ser: “O estúpido expulsa o racional”. 

 

Quem definiu da forma mais clara e inteligente a nossa estupidez coletiva foi o mestre Olavo de Carvalho em seu artigo intitulado “Cavalos mortos”, publicado no jornal “O Globo” do Rio de Janeiro, em sua edição de 17 de fevereiro de 2001, cujo artigo completo está disponível em seu sítio www.olavodecarvalho.org.

 

Abaixo reproduzimos um belo parágrafo do mesmo:

 

“Meu amigo Andrei Pleshu, filósofo romeno, resumia:” No Brasil, ninguém tem a obrigação de ser normal.”Se fosse só isso, estaria bem. Esse é o Brasil tolerante, bonachão, que prefere o desleixo moral ao risco da severidade injusta. Mas há no fundo dele um Brasil temível, o Brasil do caos obrigatório, que rejeita a ordem, a clareza e a verdade como se fossem pecados capitais. O Brasil onde ser normal não é só desnecessário: é proibido. O Brasil onde você pode dizer que dois mais dois são cinco, sete ou nove e meio, mas, se diz que são quatro, sente nos olhares em torno o fogo do rancor ou o gelo do desprezo. Sobretudo se insiste que pode provar”.

 

O acima colocado pode ser facilmente comprovado com as colocações abaixo das excrescências econômicas geradas no governo FHC:

 

– Aumento criminoso da carga tributária de 27.90% do PIB em 1994 para 36% do PIB previsto para o ano de 2002. Acréscimo real de 29,03% em relação ao ano de 1994

 

– Recebimento de investimentos externos líquidos da ordem de US$ 189,2 bilhões

 

Apesar do acima colocado deixa o Brasil com diversas bombas de efeito retardado que explodirão em breve, quais sejam:

 

O monstruoso déficit público nominal.

 

– No período de janeiro/95 a novembro/02 o governo FHC obteve uma receita total de 25,60% do PIB (tributárias, contribuições e capitais), tendo aplicado 29,53% como segue: 13,17% (Administração Financeira); 6,78% (Previdência Social); 2,00% (Saúde); 1,84% (Defesa); 1,39% (Educação); 0,93% (Empregos), e 3,42% com as demais atividades, gerando déficit fiscal nominal de 3,93% do PIB.

 

O monstruoso estrangulamento do perfil de gastos.

 

– Apenas com Administração Financeira (R$ 1.017,5 bilhões) e Previdência Social (R$ 523,1 bilhões) foram comprometidos 77,95% das receitas totais do período no valor de R$ 1.976,5 bilhões

 

O monstruoso déficit público real.

 

– De janeiro de 2002 até novembro de 2002 houve superávit  fiscal nominal de R$ 7,3 bilhões (0,59% do PIB), que acrescido do aumento da dívida pública no ano de 2002 de R$ 243,0 bilhões (que nada mais é do que déficit diferido), o déficit real até novembro de 2002 seria de R$ 235,7 bilhões (19,08% do PIB).

 

Até quando continuaremos batendo palmas para bêbados dançarem?

 

NOTA: Estudo completo ler “Prestação de Contas do Governo FHC”

 

 

* Economista, formado em 1974 pela Faculdade Candido Mendes no Rio de Janeiro, com cursos de extensão em Engenharia Econômica pela UFRJ, no período de 1974/1976, e MBA Executivo em Finanças pelo IBMEC/RJ, no período de1988/1989. Membro da área internacional do Lloyds Bank (Rio de Janeiro e Citibank (Nova York e Rio de Janeiro). Exerceu diversos cargos executivos, na área financeira em empresas como Cosigua – Nuclebrás – Multifrabril – IESA Desde de 1996 reside em Florianópolis onde atua como consultor de empresas e palestrante, assessorando empresas da região sul.

 

 

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Como citar e referenciar este artigo:
BERGAMINI, Ricardo. O manicômio do déficit público no Brasil. Florianópolis: Portal Jurídico Investidura, 2008. Disponível em: https://investidura.com.br/artigos/politica/o-manicomio-do-deficit-publico-no-brasil/ Acesso em: 27 fev. 2024