Política

O futuro será como o passado?

Num excelente artigo publicado em Veja (ano 43, n.o 28), o economista Cláudio de Moura Castro – conhecido especialista em educação – procura caracterizar um contraste bastante freqüente: o que se coloca entre uma visão conjuntural – por definição voltada para circunstâncias presentes e uma visão histórica panorâmica do passado.

 

Desse modo, se fizermos uma análise conjuntural socioeconômica do Brasil, depararemos com um quadro bastante inquietante com tendências bastante negativas, mas se nos deslocarmos para uma ampla visão histórica, o que perceberemos contrasta fortemente com o quadro hodierno.

 

“Em 1900, o Rio de Janeiro estava proscrito para estrangeiros, pela sua insalubridade. A esperança de vida andava por volta dos 30 anos, a mesma da Europa na Idade Média. Entramos no século XX com renda per capita menor que a do Peru e cinco vezes menor que a da Argentina (e com nossas revistas escritas e impressas na Europa).”

 

“Mas a economia disparou. Entre 1870 e 1987, nosso PIB cresceu 157 vezes, comparado com 87 vezes para o Japão e 53 vezes para os Estados Unidos. Ou seja: por mais de um século lideramos o crescimento mundial (o grifo é meu). Por volta da II Guerra Mundial, importávamos palitos, sapatos, biscoito, lápis, manteiga, banha, cerveja, tecidos e roupas.”

 

“O salto econômico foi enorme. Viramos um país industrializado, ficamos à frente da Alemanha em produção de automóveis, lideramos em fabricação de ônibus e sendo o terceiro maior produtor de aviões comerciais. Trocamos uma agricultura semifeudal por um agronegócio com forte base tecnológica, apoiado em pesquisa de primeira linha. (…) Os indicadores sociais subiram vertiginosamente. A esperança de vida, posse de bens duráveis, tudo cresceu e não foi pouco.”

 

Apesar disso, não só temos um baixo IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) causado por diversos fatores e Cláudio reconhece alguns poucos deles: “distribuição de renda, criminalidade e esgoto tratado”, como também o ritmo de nosso crescimento tem ficado muito aquém dos desejáveis e necessários 6% no mínimo ao ano – e durante uns 20 anos – para que possamos ser situados entre os mais prósperos países do mundo.

 

Lembramos que os dois governos Lula, apesar da sua grande propaganda oficial no País e no exterior, não conseguiram crescer mais do que 3,2 em média, mesmo antes da crise americana quando ainda havia um boom de crescimento mundial e os países emergentes cresciam em média mais de 5%.

 

Creio, no entanto, que o fator mais negativo do lulismo não está no crescimento econômico cujos medíocres índices ainda podem ser revertidos por futuros governos, mas sim na mentalidade estimulada por Lula e pelo PT. Entre suas feições principais, está o aberto desprezo pelas leis do País em que basta citar o exemplo do uso da máquina visando à eleição de sua candidata, coisa esta que já recebeu, até o presente momento 6 multas do STE.

 

E agora a vice-procuradora geral da República declarou estar estudando a possibilidade de um processo de impugnação de Dilma, a candidata favorecida pela propaganda ilegal lulista.

 

O PIB pode não ter se agigantado, mas o Estado e os impostos destinados à sustentá-lo não param de se agigantar assustadoramente. O mesmo tornou-se um grande cabidão de empregos com mais de 30 ministérios e secretarias especiais, sendo abarrotado de “cumpanheiros”. Foram criadas 11 empresas estatais, sem contar com a SEGUROBRAS que Lula pretende criar por medida provisória ao apagar das luzes de seu governo.

 

Apesar de termos dificuldades em compreender a razão de ser de uma estatal de  seguros, sua criação não causa a menor espécie, haja vista canhestrices tais como a estatização do sangue brasileiro promovida pela HEMOBRAS e a ressurreição da SUDENE do esquerdoso Celso Furtado, ambos de tristíssima lembrança.

 

Estatismo, patrimonialismo, corrupção avassaladora, desprezo pela educação e pela saúde públicas, neopeleguismo, nepotismo, cupinchismo, imbecilização das massas, cooptacionismo de intelectuais, sistemática desinformação, demagogia atroz, despudorado assistencialismo, política externa terceiromundista, tentações totalitárias, esquerdopatia aguda, etc. são as marcas registradas dos dois governos Lula.

 

Estou certo de que esses fatores só irão se agravar com um possível governo Dilma. E ainda outros fatores negativos estarão conspirando contra a democracia e o estado de direito, caso a companheira Estella do Var-Palmares venha a ser eleita.

 

Por acaso ela se arrependeu de seu criminoso passado de guerrilheira urbana e aceitou a “democracia burguesa” antes execrada por ela? M’engana qu’eu gosto! Tudo não passa de uma manobra estratégica gramsciana com vistas à conquista do Poder e da hegemonia.

 

O que você escolherá: a forca de Dilma ou a guilhotina de Serra? Parece que estamos diante da escolha de Sofia com seu constituinte tertium non datur. Marina Silva é carta fora do baralho; a eleição é mesmo plebiscitária: a favor ou contra Lula.

 

Mas pensando bem e aplicando a lógica do menos ruim, optarei pela guilhotina. A prolongada agonia do laço no pescoço é muito pior do que a morte instantânea e indolor do afiado gume do instrumento do Dr. Guillotin dilacerando o cerebelo.

 

Além disso, a eleição de Serra trará uma vantagem adicional: a defenestração da “cumpanheirada” do PT do aparelho do Estado, coisa esta que não será feita sem acarretar as mais penosas seqüelas.

 

Serra, desde já, deve estar preparado para uma enxurrada de greves patrocinadas pela CUT-PT (o único sindicato-partido do mundo!), para contínuas invasões de terras promovidas pelo MST, para a mobilização dos “movimentos sociais” nas cidades infernizando sua governança, bem como para a sabotagem administrativa feita por membros dos escalões inferiores como uma quinta coluna agindo sub-repticiamente dentro de seu próprio governo.

 

É mole ou quer mais? Será que fazes uma idéia do que, caso eleito, te aguarda, Serra?!

 

* Mario Guerreiro, Doutor em Filosofia pela UFRJ. Professor Adjunto IV do Depto. de Filosofia da UFRJ. Ex-Pesquisador do CNPq. Ex-Membro do ILTC [Instituto de Lógica, Filosofia e Teoria da Ciência], da SBEC [Sociedade Brasileira de Estudos Clássicos]. Membro Fundador da Sociedade Brasileira de Análise Filosófica. Autor de Problemas de Filosofia da Linguagem (EDUFF, Niterói, 1985); O Dizível e O Indizível (Papirus, Campinas, 1989); Ética Mínima Para Homens Práticos (Instituto Liberal, Rio de Janeiro, 1995). O Problema da Ficção na Filosofia Analítica (Editora UEL, Londrina, 1999). Ceticismo ou Senso Comum? (EDIPUCRS, Porto Alegre, 1999). Deus Existe? Uma Investigação Filosófica. (Editora UEL, Londrina, 2000) . Liberdade ou Igualdade? ( EDIPUCRS, Porto Alegre, 2002). Co-autor de Significado, Verdade e Ação (EDUF, Niterói, 1985); Paradigmas Filosóficos da Atualidade (Papirus, Campinas, 1989); O Século XX: O Nascimento da Ciência Contemporânea (Ed. CLE-UNICAMP, 1994); Saber, Verdade e Impasse (Nau, Rio de Janeiro, 1995; A Filosofia Analítica no Brasil (Papirus, 1995); Pré-Socráticos: A Invenção da Filosofia (Papirus, 2000) Já apresentou 71 comunicações em encontros acadêmicos e publicou 46 artigos. Atualmente tem escrito regularmente artigos para www.parlata.com.br,www.rplib.com.br , www.avozdocidadao.com.br e para www.cieep.org.br , do qual é membro do conselho editorial.

Como citar e referenciar este artigo:
GUERREIRO, Mário. O futuro será como o passado?. Florianópolis: Portal Jurídico Investidura, 2010. Disponível em: https://investidura.com.br/artigos/politica/o-futuro-sera-como-o-passado/ Acesso em: 29 abr. 2026