Política

Eleições 2010

Eleições 2010

 

Por Guilherme Lanzini Scatolin

 

            No próximo ano, a corrida para a sucessão presidencial promete ser bem agitada, concorrida e emocionante. Vários são os nomes lançados nesse período que antecede as convenções dos partidos e os acordos formais de alianças entre eles.

 

            Mesmo faltando mais de um ano para as eleições, as especulações sobre quem serão os candidatos são grandes, e os próprios supostos concorrentes não desmentem nem confirmam suas participações.

 

            Tenho os meus palpites para os possíveis concorrentes à sucessão do presidente. O PT não abrirá mão de ser o chamado “cabeça de chapa”, aquele que fornece o nome para a presidência. Dilma Rousseff se mostra forte dentro do partido e, como Ministra da Casa Civil, “mãe do PAC”, se fortalece com a visibilidade que o cargo e suas atribuições lhe conferem. Não vejo outro nome dentro do PT. Encaro o PT como um partido muito dependente da figura do Presidente e, sem ele, o partido segue muito forte no parlamento. Vários senadores e deputados, muitos deles atuantes, presidindo comissões importantes, mas sem a influência e o carisma necessário para postular o Planalto.

 

Outro possível candidato é Ciro Gomes, do PSB. Não podemos descartar um candidato que obtém quase 700 mil votos para deputado federal no estado do Ceará; essa expressiva votação é o equivalente a 16,19% dos votos válidos. É um candidato conhecido do eleitorado em todo o Brasil e, com essa votação, merece ao menos ser lembrado.

 

Já o PSDB tem dois postulantes à corrida presidencial. Aécio Neves e José Serra. Um, governador do Estado de Minas Gerais, e o outro, do Estado de São Paulo. Essa até pouco tempo foi a questão mais discutida das eleições 2010. Um partido que tem dois nomes com possibilidade de vencer as eleições.

 

Acredito que, da maneira que caminha a escolha do candidato, será mesmo Serra o escolhido do PSDB mais uma vez, mesmo tendo sido derrotado em 2002. Ele tem o apoio da maioria do partido, construiu uma forte aliança com o DEM, elegeu Gilberto Kassab prefeito de São Paulo. Aécio Neves também elegeu o seu candidato à prefeitura de Belo Horizonte costurando uma aliança inclusive com o PT. Mas Serra tem vantagem dentro do partido e mais apelo popular no restante do Brasil, além de dirigir o mais importante e forte Estado da Federação.

 

O PMDB, me parece que não terá candidato próprio. Mais uma vez ele especula e, quando tiver que decidir, deve optar por apoiar aquele candidato que estiver com maiores possibilidades de vencer o pleito. É, sem dúvidas, o maior partido do Brasil, maior número de prefeitos, senadores, deputados; mas que não tem um nome forte para concorrer ao Planalto e é muito dividido. Dentro do partido existem outros partidos, todos com interesses diferentes uns dos outros.

 

Claro que teremos outros candidatos, dos partidos considerados menores, como o PCO, PSOL, PSDC. Mas o candidato que considero mais forte, com maiores chances de vitória, é mesmo José Serra. Além de ele já ter experiência e apoio do partido, costurado aliança com o DEM, penso que, com a vitória de Lula em 2002, entramos num ciclo de alternância no poder. A chamada esquerda governou por oito anos, agora volta a chamada direita.

 

Claro que muito ainda vai acontecer até o dia das eleições e muito pode mudar. É tudo especulação. O que nos resta é esperar para ver o que realmente vai acontecer.

 

*Guilherme Lanzini Scatolin é acadêmico de Direito da Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC.

 

Como citar e referenciar este artigo:
SCATOLIN, Guilherme Lanzini. Eleições 2010. Florianópolis: Portal Jurídico Investidura, 2009. Disponível em: https://investidura.com.br/artigos/politica/eleicoes-2010/ Acesso em: 14 abr. 2024