Política

CONFECOM e o Futuro Político do Brasil

 

24 de novembro de 2009

 

Está claro que o futuro do setor de comunicações será fortemente determinado pelo evento da CONFECOM. Nenhuma ação de governo, enquanto o PT estiver no poder, ignorará as diretrizes e “propostas” nele aprovadas. Será um divisor de águas. Se o PT fizer o sucessor é provável que aconteça o aprofundamento dessa linha política, no limite de expulsar ou subjugar as empresas que hoje fazem o setor, desde a infra-estrutura até os provedores de conteúdo. Estamos diante da possibilidade da estatização de tudo, o que significa o fim da liberdade de expressão e mesmo o fim do regime de livre empresa no Brasil.

 

Uma canga desse tamanho no setor, para chegar à sua conclusão plena, precisará que o pólo empresarial esteja tão inerme enquanto componente fundamental da sociedade política que nada possa obstar a vontade revolucionária. Se for essa hipótese, nenhuma outra força resistirá ao maremoto revolucionário. É o Rubicão do PT, a partir daqui não haverá mais volta. A questão é saber se os atores que fazem o setor entregarão os pontos sem alguma forma de resistência.

 

A CONFECOM surgiu como um raio em dia de céu azul e de repente o mega evento foi planejado e executado. Até onde sei suas ações preparatórias nas esferas estaduais e municipais chegaram a bom termo, concluídas. Os delegados estão apenas esperando cumprir o calendário para desembarcarem em Brasília. No meio político as vozes discordantes foram unicamente as de José Serra e Gilberto Kassab, em São Paulo. No meio empresarial, as associações que se recusaram a indicar delegados. O evento tornou-se integralmente um convescote das esquerdas organizadas e alinhadas com o PT.

 

O surpreendente é o silêncio complacente da mídia sobre os acontecimentos. Com exceção do Estadão, que fez dois míseros editoriais acovardados, ninguém parece preocupado com o que está acontecendo. Há, por assim dizer, um silêncio unânime. Em um governo normal talvez tudo pudesse se resolver nos bastidores, pelo mecanismo de lobby. Mas o PT no poder não é uma normalidade. Essa gente tem planos continentais, via Foro de São Paulo, e está implantando a política levada à CONFECOM em todos os países onde chegaram ao poder. A tática do silêncio pode ser um suicídio, pois se perdeu a oportunidade de levar à opinião pública o que de fato está acontecendo: o Brasil está na rota revolucionária e Conferência das Comunicações será um marco profundo nessa rota.

 

O PT está ganhado a parada por causa do silêncio cúmplice.O grito de alerta deveria ter sido dado quando da publicação do decreto de convocação, em abril. Agora, mesmo que o empresariado do setor perceba que não resta outra alternativa que não a luta política aberta e franca, não dará mais tempo para nada. A CONFECOM é um fato consumado.

 

Essa luta teria que ser feita nas páginas dos jornais, no Congresso Nacional, no meio empresarial mais amplo. Mas a tática de acomodação prevaleceu e penso que agora não se tem muito a fazer a não ser ver o circo pegar fogo. Interessante aqui lembrar que, quem está à frente desse esforço todo, é o ministro da propaganda, Franklin Martins. Certo, ele foi da Rede Globo e da Bandeirantes, que lhe deram empregos, bons salários e espaço para proselitismo. A lealdade dele, todavia, nunca esteve com esses antigos patrões, mesmo quando lá estava. Ele é um dos artífices da revolução, desde os tempos de guerrilheiro.

 

Talvez essa proximidade pessoal dos empresários relevantes do setor com o grande arquiteto da CONFECOM tenha dado a inércia da passividade a que assistimos. Ora, qualquer observador da trajetória do PT sabe que seus dirigentes nunca esconderam sua má intenção. Vimos, nos artigos anteriores, que o grupo político-familiar do ministro Tarso Genro está historicamente comprometido com a sovietização de tudo, especialmente do setor de comunicações. Nenhuma surpresa. É como se tivessem escrito um Mein Kampf e, como Hitler, vão cumprir a sua promessa até o fim. O erro político maior foi a passividade dos envolvidos, que poderiam ter dado o alarme no tempo certo. Como Hitler, essa gente do PT está levando o Brasil para o abismo sem encontrar nenhuma resistência.

 

 

* José Nivaldo Cordeiro, Executivo, nascido no Ceará. Reside atualmente em São Paulo. Declaradamente liberal, é um respeitado crítico das idéias coletivistas. É um dos mais relevantes articulistas nacionais do momento, escrevendo artigos diários para diversos jornais e sites nacionais. É Diretor da ANL – Associação Nacional de Livrarias.

Como citar e referenciar este artigo:
CORDEIRO, José Nivaldo. CONFECOM e o Futuro Político do Brasil. Florianópolis: Portal Jurídico Investidura, 2009. Disponível em: https://investidura.com.br/artigos/politica/confecom-e-o-futuro-politico-do-brasil/ Acesso em: 25 fev. 2024