Economia

Economia do Turismo – uma perspectiva macroeconômica – Fonte IBGE – Base: 2003/2006

Economia do Turismo – uma perspectiva macroeconômica – Fonte IBGE – Base: 2003/2006

 

 

Ricardo Bergamini*

 

 

Em 2006, as atividades características do turismo respondiam por 3,6% da economia brasileira

 

O valor de produção das atividades características do turismo (ACT) chegou a R$ 149,64 bilhões, atingindo 7,1% do valor da produção do setor de Serviços e 3,6% da economia brasileira. Mas entre 2003 e 2006 a participação do valor de produção das ACT na economia brasileira recuou, de 3,80% para 3,62%. Em 2006, trabalhavam nas ACT cerca de 5,7 milhões de pessoas, ou 10,1% dos ocupados no setor de Serviços (56,6 milhões) e 6,1% dos trabalhadores do país (92,2 milhões). Em 2006, o total dos rendimentos pagos pelas ACT (R$ 31,34 bilhões) representou 3,23% dos rendimentos pagos pelo conjunto da economia brasileira, ficando abaixo da participação observada em 2003 (3,30%).

 

O estudo Economia do turismo: uma perspectiva macroeconômica 2003-2006 é fruto de um acordo de cooperação técnica entre o Ministério do Turismo e o IBGE. Essa edição apresenta uma revisão em relação ao estudo divulgado em 2008, Economia do turismo: uma perspectiva macroeconômica 2000 – 2005 e traz definições mais precisas das atividades associadas à economia do Turismo, em nível de quatro dígitos da Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE). Isso permitiu a exclusão de algumas atividades econômicas que não estão ligadas ao Turismo, como os serviços de alimentação privativos (cantinas) e, ainda, o transporte de carga, o transporte urbano “de massa” e o aluguel de bens móveis, entre outras.

 

Além disso, através do Sistema de Contas Nacionais, foi possível o maior detalhamento de algumas atividades econômicas. Isso possibilitou, entre outros exemplos, a identificação mais específica das parcelas da receita dos Transportes aquaviário e aéreo que são provenientes do transporte de passageiros.

 

Em 2006, valor gerado pelas as atividades ligadas ao turismo chegou a R$ 149,64 bilhões

 

Em 2006, o valor da produção gerado pelas atividades características do turismo (ACT) foi de R$ 149,64 bilhões. Isso representa 7,1% do valor total da produção do setor de Serviços e 3,6% da economia brasileira.

 

A atividade de serviços de alimentação teve a maior participação no valor da produção das ACT: 40,94%, ou R$ 61,28 bilhões. Seguem-se a ela, os serviços de transporte rodoviário, com R$ 26,42 bilhões ou 17,67% do valor da produção gerado pelas ACT. As atividades recreativas, culturais e desportivas geraram R$ 20,68 bilhões e responderam por 13,82% das ACT.

 

Em 2006, o valor agregado pelas ACT foi de R$ 73,87 bilhões. Isto representou 5,5% do valor agregado do setor de serviços e 3,6% da economia brasileira. As maiores participações foram dos serviços de alimentação (36,36% ou R$ 26,86 bilhões) e serviços de transporte rodoviário (19,27% ou R$ 14,23 bilhões). As atividades recreativas, culturais e desportivas responderam por 18,06% (R$ 13,34 bilhões) e os serviços auxiliares dos transportes, por 8,77% (R$ 6,48 bilhões) do valor agregado das ACT.

 

A heterogeneidade das ACT também pode ser observada pela relação consumo intermediário / valor da produção. O consumo intermediário corresponde ao valor dos bens e serviços consumidos como insumos num processo de produção. O valor do consumo intermediário é influenciado pelo preço e pela quantidade dos insumos utilizados no processo produtivo. As ACT consumiram, de forma intermediária, R$ 75,77 bilhões em bens e serviços da economia brasileira.

 

Em 2006, o serviço de transporte aéreo teve a maior relação ci/vp dentre as atividades pertencentes às ACT (0,71). Com uma relação ci/vp superior a média das ACT (0,51) tem-se ainda os serviços de alimentação e os serviços de transporte ferroviário: respectivamente, 0,56 e 0,53.

 

Mais de 5,7 milhões de pessoas trabalhavam em atividades características do turismo

 

Em 2006, as ACT ocupavam 5.714.669 de pessoas, ou 10,1% do setor de Serviços (56.619.241) e 6,1% do país (92.246.963). A atividade de serviços de alimentação liderava com 2.857.677 de pessoas, ou 50,01% do total das ACT. Também merecem destaque os serviços de transporte rodoviário (1.079.351 trabalhadores ou 18,89%) e as atividades recreativas, culturais e desportivas (1.013.987 de pessoas ou 17,74%).

 

Em 2006, as ACT pagaram R$ 31,34 bilhões em salários e outras remunerações, ou 4,6% do total do setor de serviços e 3,2% da economia brasileira. A maior participação nesse quesito coube aos Serviços de alimentação: 28,8% ou R$ 9,02 bilhões, com as atividades recreativas, culturais e desportivas (17,7% ou R$ 5,55 bilhões) e os serviços de transporte rodoviário (R$ 4,97 bilhões ou 15,9%) a seguir.

 

Em 2006, as ACT pagaram uma remuneração média anual (incluindo o 13º salário) de R$ 5.484 por trabalhador. Os maiores rendimentos médios anuais estavam nos serviços de transporte aéreo (R$ 68.406), aquaviário (R$ 36.069) e ferroviário (R$ 33.265), e os menores rendimentos médios nos serviços de transporte rodoviário (R$ 4.608) e nos serviços de alimentação (R$ 3.158).

 

Participação do Valor da produção das ACT na economia recuou, entre 2003 e 2006

 

Em 2006, o valor da produção das ACT, a preços correntes, somou R$ 149,64 bilhões, e a participação deste indicador no conjunto da economia brasileira recuou para 3,62% em 2006, contra 3,80% em 2003.

 

Em 2006, as ACT atingiram o valor da produção, a preços correntes, de R$ 149.642 milhões, apontando um crescimento de 11,5% em relação a 2005. Este resultado foi superior ao observado para a economia brasileira que registrou uma variação de 8,8%. Assim, no período, a participação do conjunto das ACT na economia brasileira subiu de 3,54% em 2005 para 3,62% em 2006.

 

Os setores que em 2006 se destacaram pela variação positiva no valor da produção em relação a 2005 foram serviços de locação de bens móveis (21,2%), serviços de alimentação (21,1%), serviços de transporte aquaviário (16,2%), serviços de transporte ferroviário (14,4%) e atividades auxiliares dos transportes (12,3%). O desempenho das ACT como um todo só não foi mais expressivo devido à redução no valor da produção em serviços de transporte aéreo (-9,2%) e serviços auxiliares dos transportes (-7,2%).

 

De 2003 para 2006, cresceu a participação na economia do valor adicionado nas ACT

 

Em 2006, as atividades características de turismo registraram R$ 73,87 bilhões de valor adicionado, a preços correntes. De 2003 apara 2005, a participação do setor na economia brasileira cresceu de 3,61% para 3,63%.

 

De 2005 para 2006, a participação das ACT na economia cresceu, de 3,58% para 3,63%. As atividades que mais contribuíram para tal desempenho foram transporte ferroviário (29,8% das ACT em 2006), serviços de alimentação (25,5%), serviços de locação de bens móveis (23,4%), serviços de transporte aquaviário (34,3%) e atividades auxiliares dos transportes (12,0%). Já o transporte aéreo teve redução de 4,2%.

 

De 2003 para 2006, o número de ocupados nas ACT passou de 5,3 para 5,7 milhões

 

As ACT, em 2003, ocupavam 5.355.784 de pessoas, com 6,4% de participação na ocupação total da economia brasileira. Já em 2006, embora essa participação fosse 0,3 ponto percentual menor (6,1%), o número de pessoas ocupadas aumentou em 6,7%, somando 5.714.669 de trabalhadores.

 

A ocupação nas ACT cresceu 6,1% ao longo da série, bem acima da média do conjunto da economia brasileira (2,6%). Em 2006, a ocupação cresceu em todas as atividades do setor. As variações mais expressivas ocorreram em serviços de alimentação (6,0%), atividades recreativas, culturais e desportivas (13,4%) e serviços de transporte rodoviário (1,4%). A única atividade a com redução no número de postos de trabalho foi a de serviços de transporte aéreo (-9,2%).

 

Entre 2003 e 2006, caiu a participação dos rendimentos pagos pelas ACT no conjunto da economia

 

Os rendimentos pagos pelas ACT somaram R$ 31,34 bilhões, a preços correntes em 2006, representando 3,23% do conjunto da economia brasileira. Entretanto, a maior participação dos rendimentos nas ACT no total dos rendimentos ocorreu em 2003 (3,30%) como mostra a tabela abaixo.

 

Arquivos oficiais do governo estão disponíveis aos leitores.

 

 

* Economista, formado em 1974 pela Faculdade Candido Mendes no Rio de Janeiro, com cursos de extensão em Engenharia Econômica pela UFRJ, no período de 1974/1976, e MBA Executivo em Finanças pelo IBMEC/RJ, no período de1988/1989. Membro da área internacional do Lloyds Bank (Rio de Janeiro e Citibank (Nova York e Rio de Janeiro). Exerceu diversos cargos executivos, na área financeira em empresas como Cosigua – Nuclebrás – Multifrabril – IESA Desde de 1996 reside em Florianópolis onde atua como consultor de empresas e palestrante, assessorando empresas da região sul..  Site: http://paginas.terra.com.br/noticias/ricardobergamini

Como citar e referenciar este artigo:
BERGAMINI, Ricardo. Economia do Turismo – uma perspectiva macroeconômica – Fonte IBGE – Base: 2003/2006. Florianópolis: Portal Jurídico Investidura, 2009. Disponível em: https://investidura.com.br/artigos/economia/economia-do-turismo-uma-perspectiva-macroeconomica-fonte-ibge-base-20032006/ Acesso em: 14 abr. 2024