Direito Penal

O crack e os seus malefícios para a sociedade

Os fatos criminosos em todas as partes e em todos os lugares do país, as
desagradáveis conseqüências na área policial, educacional, saúde, social e
familiar e o degredo causado pelo crack, comprovam que essa droga trouxe malefícios
sem precedências para a nossa sociedade. O crack mata os sonhos das pessoas,
aniquila o futuro de tantas outras e aumenta a criminalidade em todo canto que
se instala.

De poder sobrenatural, o crack sempre vicia a pessoa quando do seu
primeiro experimento e o que vem depois é a tragédia certa. A partir de então a
sua nova vítima está condenada a engrossar as fileiras de um gigantesco e
crescente exército de dependentes químicos da droga que, em conseqüência passa
também a matar e morrer pelo crack.

O crack além de trazer a morte em vida do seu usuário, arruína a vida
dos seus familiares e vai deixando rastros de lágrimas, sangue e crimes de toda
espécie na sua trajetória maligna.

Faz parte da fórmula absurda do crack que nasceu da borra da cocaína, a
amônia, o ácido sulfúrico, o querosene e a cal virgem, produtos altamente
nocivos à saúde humana, que ao serem misturados e manipulados se transformam
numa pasta endurecida de cor branca caramelizada, que passou a ser conhecida
pelos mais entendidos, com toda razão, como sendo a pedra da morte.

Como os efeitos excitantes do crack têm curta duração, o seu usuário faz
dele uso com muita freqüência e a sua vida passa a ser somente em função da
droga.

Em virtude do dependente do crack pertencer em grande maioria à classe
pobre ou média da nossa sociedade e assim não dispor de dinheiro para manter o
seu vício, então passa ele a prostituir-se em troca da pedra ou de qualquer
migalha em dinheiro, a se desfazer de todos os seus pertences e a cometer
furtos em casa dos seus pais, dos seus parentes, dos seus amigos ou noutros
lugares quaisquer, para daí logo passar
a praticar assaltos, seqüestros e latrocínios, sem contar que também fica nas
mãos dos traficantes para cometer homicídios ou demais crimes que lhes for
acertado em troca do crack.

Assim, o usuário do crack vende seu corpo, sua alma, seus sonhos para
viver em eterno pesadelo.

Na trajetória inglória e desprezível do crack, o seu usuário encontra o
desencanto, a dor, a violência, o crime, a cadeia, a desgraça ou o cemitério. O
crack traz o ápice da insanidade humana. Alguns que se recuperaram do poder
aniquilador do crack disseram que dele sentiram o gosto do inferno.

Concluímos então que o perfil da sociedade se transformou e os problemas
da segurança pública mudaram consideravelmente para pior a partir do advento do
crack. Aumentaram-se todos os índices de crimes possíveis por conta do crack.
Em decorrência do crack também passou a morrer precocemente uma imensidão incontável
de pessoas, destarte para os jovens que mais se lançam neste lamaçal. Os seus
usuários em grande maioria se transformam em pessoas violentas e, com armas em
mãos são responsáveis por mortandade em suicídios, assassinatos dos seus
familiares e amigos, homicídios pelo tráfico, para o tráfico ou ainda mortes
relacionadas às pessoas inocentes em roubos, nos chamados crimes de
latrocínios.

É preciso que as políticas públicas contra o crack, além de promover
bons projetos preventivos, repressivos e curativos, considerem os vários
aspectos que envolvem os seus dependentes químicos e suas conseqüências, como a
conscientização da população voltada para o drama pessoal vivido pelos mesmos e
por aqueles que o cercam, as dificuldades de bem vigiar todas as fronteiras
como melhor forma de prevenção de evitar a entrada da sua pasta base, as
carências das entidades assistenciais e de saúde, assim como da necessidade de
recursos para os aparatos policiais, destarte, para a valoração profissional
dos seus membros no sentido de melhor combater o trafico, o traficante e o
chamado crime organizado que é a fonte de alimentação da droga.

Evidente é que o crack é caso de Polícia, mas é também problema de todos
nós e, na medida em que por sua culpa são gerados tantos crimes e disfunções
sociais, cresce ainda mais a responsabilidade da própria sociedade e do poder
público, principalmente para ser tratado em larga escala como caso de saúde
pública.

(Delegado de Policia. Pós-Graduado em Gestão Estratégica de Segurança Publica pela Universidade Federal de Sergipe) archimedes-marques@bol.com.br

Como citar e referenciar este artigo:
MARQUES, Archimedes. O crack e os seus malefícios para a sociedade. Florianópolis: Portal Jurídico Investidura, 2010. Disponível em: https://investidura.com.br/artigos/direitopenal-artigos/o-crack-e-os-seus-maleficios-para-a-sociedade/ Acesso em: 26 abr. 2026