Direito Internacional

A Oposição Entre os Paradigmas da Dependência e da Interdependência

No contínuo estudo dos paradigmas dos interregimentos mundiais quanto às relações interestatais, sejam em âmbito continuental ou mundial, é notável a oposição das teorias de Andrew Gunder Frank e Robert Keohane.

Frank, Alemão, é uma sumidade quando fala-se do Paradigma da Dependência. De acordo com a visão dele, há uma hierarquia internacional, um sistema de forças maiores e menores que mantêm um vínculo multilateral de expoliação e mandatarismo transnacionais.

A teoria dele é uma das mais aceitas pela comunidade “leiga” no estudo das relações internacionais, pois, a simples visão de que o império norte-americano de poder mantém a política do “big stick”, onde quer que seja, sofreu um reforço pela invasão no Iraque e pelas atuações da política “kamikaze” de George W. Bush e da ministra Condolissa Rice.

No âmbito do dependentismo, há as teorias como a da Divisão Internacional do Trabalho, resquícios dos sistemas neo-colonizadores que ainda hoje regem muitas das relações econômicas internacionais. Teoriza-se, pela DIT, uma altíssima rigidez “social” no âmbito econômico internacional, onde os países periféricos deveriam manter providos os centrais com matérias primas e mão-de-obra “acessível”, enquanto estes, munidos de conhecimento científico avançadíssimo, abastecido por mercados incessantes de informação, responsabilizam-se pelas manufaturas e industrializações avançadas de inúmeros recursos naturais na formação de aparatos de altíssimo refino tecno-científico.

Esta sistematização do funcionamento econômico-industrial internacional seria um reforço para a imutável situação de submissão dos países periférico, pois, não detentores de conhecimento científico refinado, estariam atrelados ad infinitum aos países centrais para poderem adquirir os aparatos tecnológicos necessários não somente a uma boa vivência da vida moderna, mas, também, para o bom-funcionamento nacional.

Muito bem aceito pelos estudiosos dos países periféricos, este paradigma, tratado por muitos como uma extensão do realismo, tem fomentado situações delicadas como a ação de Hugo Chávez na América. Anti-norte-americanista assumido, o presidente da Venezuela tem dirigido uma revolta internacional contra os “neo-neo”-colonialistas. Em sua cruzada contra o império norte-americano, uma de suas bandeiras é não mais ser um pequeno e dependente país subdesenvolvido à disposição dos ditames dos generais e economistas estadunidenses.

Embora seja o teórico do dependentismo, Frank foi um importantíssimo elucidador da situação de subdesenvolvimento nacional. Dizia ele que, longe de ser uma característica dos estados e regiões insuficientemente integrados à economia global, o subdesenvolvimento era, na verdade, resultado de sua incorporação ao sistema do capitalismo moderno.

Crê-se, também, que os países subdesenvolvidos o sejam não por conjuntura deineficiência econômica, mas de atrelamento a um sistema imposto historicamente: colonialismos, a dependência da metrópole, amarramento dos sistemas de produção e amputação do crescimento nacional foram os principais criadores da conjuntura subdesenvolvimentista dos países periféricos. Apenas quando eles se distanciavam das amarras colocadas pela metrópole colonialista é que estariam em seu explendor produtivo e de crescimento, não sendo diferente a relação metrópole-colônia do século XVI da central-periférico do XXI.

Opondo a teoria de Frank, Robert Keohane, norte-americano de nascença e, assim como Frank, doutorado em Harvard, foi juntamente com Joseph Nye co-editor da obra “Relações Transnacionais e Política Mundial”.

Keohane é uma das mentes centrais no paradigma do Interdependentismo, principal opositor do paradigma do Dependentismo.

Enquanto a visão de Frank mostra uma extratificação internacional mantida por força militar, coerção econômica e social, dentre outros fatores coercitivos, abastecedores de uma relação por demais tensa no âmbito internacional, o Norte-Americano coloca um modelo onde não há uma hierarquia vertical entre os estados, mas sim uma disposição horizontal, sem coerção ou mandatarismo, mas com internecessidades que implicam uma manutenção de relações sensíveis.

A DIT, teoria mantenedora da visão de Frank, pode ser explicada de outra forma pela interdependência: enquanto alguns países detêm o conhecimento tecnológico central, outros, por estarem cientificamente mais atrasados, necessitam do que os primeiros têm a oferecer e se dispõem, de boa-vontade – ou, talvez, por não terem alternativa, mas, ainda assim, se dispõem -, a suprirem o mercado internacional com o que têm a oferecer: matéria-prima e mão-de-obra barata.

Como citado, a força e a coerção não são fatores efetivos de manutenção de vontades dos estados internacionais. Na verdade, qualquer ação é tomada pois há a palpável necessidade dela e, em um sistema de internecessitarismo, abre-se o caminho para a ação de outros países, em troca de suprimento de outras carências.

Embora o modelo Keohanesiano seja um tanto utópico, ele não explica o militarismo, a função ou a intenção deste, ficando lacunas como o porquê da ação militar no Vietnã, dos conflitos armados Africanos ou de outros cunhos no oriente médio.

Como dito: este sistema utópico, na verdade, está longe de suprir a realidade mundial, pois, se há uma real interdependência, não haveria real necessi- dade de ações militaristas a não ser por intenção territorial.

Embora estejam longe de suprirem o estudo das relações internacionais com uma visão absolutamente correta, a própria intenção de se ter uma visão “absolutamente correta” já é, por si só, incorreta, pois, como o próprio nome diz, são visões, e, por definição, são variáveis e não á uma correta, apenas, mas a introdução destes modelos de atuação internacional são inquestionavelmente elucidativos.

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Como citar e referenciar este artigo:
BELLI, Marcel Damato. A Oposição Entre os Paradigmas da Dependência e da Interdependência. Florianópolis: Portal Jurídico Investidura, 2008. Disponível em: https://investidura.com.br/artigos/direito-internacional/dependencia-interdependencia/ Acesso em: 16 jul. 2024