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TSE nega pedido de aplicação de multa a Lula e Dilma por propaganda em batismo de navio da Transpetro

O ministro Joelson Dias (foto) do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) negou representação protocolada pelo Ministério Público Eleitoral (MPE) contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a ex-ministra da Casa Civil Dilma Rousseff, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, e o presidente da Petrobrás, Sérgio Gabrielli, por prática de propaganda eleitoral antecipada em favor da pré-candidatura de Dilma Rousseff à presidência da República. Em sua decisão, o ministro Joelson Dias entendeu que no caso não cabe a aplicação de multa no valor de R$ 25 mil, conforme solicitada pelo MPE.

A propaganda antecipada, segundo o MPE, foi feita durante solenidade de lançamento do primeiro navio do Programa de Modernização e Expansão da Frota da Transpetro, realizada em Ipojuca (PE ), no dia 7 de maio deste ano. Entre os acusados também foram incluídos o presidente da Transpetro, José Sérgio de Oliveira Machado, e o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Pernambuco, Alberto Alves dos Santos.

Lula

Quanto à suposta participação de Lula na prática de propaganda irregular, o ministro Joelson Dias observou que na representaçãol foram anexadas apenas matérias jornalísticas e reportagens veiculadas na internet sobre o evento, mas não havia qualquer transcrição do inteiro teor dos discursos proferidos pelos representados ou mídia correspondente. Ele destacou que o TSE, em outras oportunidades, já se manifestou no sentido de que matérias jornalísticas, por si sós, não constituem prova suficiente.

?No que pese a confiabilidade da imprensa livre, não se pode ignorar que o conteúdo de uma mensagem decorre da compreensão do quanto nela contido. As reportagens de jornal, assim como os sites que comentaram o evento, não traduzem apenas o conteúdo do discurso, mas a percepção que decorre da interpretação dos que divulgam a fala, a qual – por mais respeitável que seja – não pode servir como base para a aplicação de sanção. De outro modo, se estaria punindo não o fato, mas a interpretação a ele emprestada por terceiros?, salientou o ministro.

Com base em jurisprudência da Corte Eleitoral, o relator ressaltou que não deve ser observado apenas o texto da propaganda, mas também outras circunstâncias, tais como imagens, fotografias, meios, número e alcance da divulgação. ?A inicial apoia-se exclusivamente em notícias jornalísticas e reportagens divulgadas na Internet e, assim mesmo, apenas em alguns curtos e isolados trechos reproduzidos pela imprensa de um discurso mais amplo?, completou o ministro Joelson Dias.

Outros representados

Em relação aos presidentes da Transpetro, José Sérgio de Oliveira Machado, da Petrobrás, bem como ao governador de Pernambuco, o relator afirmou que a única conduta atribuída a eles foi o fato de comparecerem ao evento. ?Nem o MPE, nem as notícias imputam a eles a realização de qualquer pronunciamento ou manifestação cujo teor se pretende como configurador de ilícito?, disse.

No entanto, o ministro observou que não há nos autos qualquer elemento que comprove uma possível idealização do evento em ato de campanha eleitoral antecipada. ?Para acolher a pretensão inicial da representação, tal como posta, seria necessário um passo demasiadamente largo?, salientou. 

Para o relator, a realização da solenidade oficial e o relato dos feitos de determinada  administração não configuram propaganda eleitoral antecipada. ?Com efeito, parece-me bastante razoável que, construído navio com recursos públicos, ?depois de 14 anos de inatividade da indústria naval?, como salienta um dos representados, ou, mais especificamente, o ?primeiro petroleiro inteiramente construído no Brasil desde 1997?, como registra outro, invista a Administração em seu lançamento oficial e na divulgação da respectiva publicidade institucional?, assinalou o ministro, ao considerar que não houve desvirtuamento dos atos.

Apenas a presença de outras autoridades no palanque, segundo o ministro Joelson Dias, ?não demonstra liame subjetivo ou adesão de vontades em promover qualquer candidato e a configurar inclusive a responsabilidade pretendida na representação?. Na opinião do ministro, mesmo que houvesse propaganda eleitoral antecipada, somente responderia o autor do ilícito ou seu beneficiário responderia a ela.

No caso específico dos autos, o relator considerou como razoável e lógico que os representados tivessem sido convidados e também comparecessem ao evento, tendo em vista as funções oficiais ou de representação sindical que ocupam ?e, portanto, em decorrência do seu direto e inequívoco interesse na consecução do programa governamental?. ?Afinal, ressalto, não me parece seja a finalidade da legislação tolher o direito de ir e vir, punindo, pela realização de propaganda eleitoral antecipada, indivíduos que, autoridades ou não, simplesmente tenham comparecido a evento, no qual eventualmente proferido discurso ou praticado ato supostamente configurador do ilícito?, concluiu.

Dilma Rousseff
Assim, uma vez que não há prova nos autos sobre a suposta propaganda eleitoral antecipada, o ministro entendeu que a candidata à Presidência da República não foi beneficiada. Também analisou que não há evidência quanto ao prévio conhecimento de Dilma sobre o fato.

?Tenho que a simples presença da segunda representada no mencionado evento não é suficiente para a pretendida demonstração do seu prévio conhecimento ou mesmo anuência em relação aos atos ali então praticados?, frisou. Ele lembrou que, para a imposição de multa por propaganda eleitoral irregular, tanto a legislação (art. 36, da Lei nº 9.504/97, e art. 5º, da Resolução-TSE n° 23.193) como a jurisprudência da Corte exigem a comprovação da responsabilidade ou o prévio conhecimento daquele que por ela é beneficiado.

Para o ministro Joelson Dias, é razoável que Dilma tenha sido convidada e efetivamente comparecido à cerimônia de lançamento de navio construído com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento, do qual já foi responsável.

Processo relacionado: RP 115146

Leia mais:

28/05/2010 – Presidente da Petrobras apresenta defesa contra acusação de propaganda em favor de Dilma Rousseff

20/05/2010 – Ministério Público Eleitoral pede aplicação de multa a Lula e Dilma por propaganda eleitoral antecipada em batismo de navio da Transpetro

EC/GA


Fonte: TSE

Como citar e referenciar este artigo:
NOTÍCIAS,. TSE nega pedido de aplicação de multa a Lula e Dilma por propaganda em batismo de navio da Transpetro. Florianópolis: Portal Jurídico Investidura, 2010. Disponível em: https://investidura.com.br/noticias/tse/tse-nega-pedido-de-aplicacao-de-multa-a-lula-e-dilma-por-propaganda-em-batismo-de-navio-da-transpetro/ Acesso em: 15 mar. 2026