TRF1

Servidoras do Judiciário não precisam restituir ao erário quantias indevidamente percebidas de boa-fé decorrentes de interpretação equivocada de lei pela Administração

 

 
As quantias percebidas de boa-fé pelo servidor, indevidamente, decorrentes de interpretação equivocada de lei pela Administração, não estão sujeitas à restituição ao erário. Esse foi o entendimento unânime da Corte Especial, que julgou improcedente a devolução de valores recebidos pelas impetrantes por equívoco da Administração, em face de interpretação da legislação vigente à época sobre o teto remuneratório dos servidores. 
 
Servidoras da Seção Judiciária do Distrito Federal peticionaram ao Tribunal contra julgado da Corte Especial Administrativa que determinou a reposição ao erário dos valores, os quais, por interpretação das normas vigentes, ultrapassaram o teto remuneratório.
 
Alegaram as servidoras que os valores em questão configuram rendimento que compôs o pagamento de salários de meses pretéritos, sendo certo que caso não houvesse sido retido indevidamente e repetido em uma única parcela não seria suficiente para ultrapassar o teto remuneratório, pois a remuneração do ano de 2003, mesmo com a alteração da dinâmica do cálculo do teto salarial, não ultrapassou o aludido limite.
 
Alegam ainda que o recebimento dos valores ocorreu de boa-fé, o que afasta a reposição determinada, nos termos de julgados do TCU, assim como ocorre com o fato de ter havido erro interpretativo da legislação.
 
Explicou a relatora, desembargadora federal Maria do Carmo Cardoso que, dada a interpretação do Tribunal à época, o ofício Presi n.º 630-307, de 07.05.2003, determinou o pagamento dos valores aqui questionados. Esclareceu que o teto da remuneração dos servidores do Judiciário da União tinha como parâmetro o subsídio do magistrado do tribunal ou juízo em que exercia suas funções (art. 20 da Lei 9.421/1996). Os abonos concedidos aos magistrados (artigos 2.º e 3.º da 10.474/2002) foram considerados indenização pelo STF (resolução 245/2002) e, sendo assim, não poderiam ser considerados para o fim do teto remuneratório.
 
Acrescentou que ?o fato de o STF ter estabelecido o caráter indenizatório dos abonos concedidos aos magistrados não afasta a possibilidade de interpretação diferenciada por parte deste Tribunal, ainda que considerada errônea. A divergência da interpretação das normas não determina a restituição de valores recebidos de boa-fé pelo servidor.?
Por fim, a desembargadora federal Maria do Carmo asseverou que o recebimento de valores de caráter alimentício pelos servidores, em razão de interpretação equivocada da legislação de regência pela Administração, deve mitigar a prerrogativa da Administração Pública de rever ou invalidar seus próprios atos. Ante o exposto, a relatora reconheceu a boa-fé das servidoras e exonerou-as da obrigação de devolver ao erário os valores recebidos em setembro de 2003, acima do teto remuneratório.
 
MS 0059438-74.2009.4.01.0000 (2009.01.00.060950-5)/DF
Marília Maciel Costa
Assessoria de Comunicação Social

Tribunal Regional Federa da 1.ª Região

Fonte: TRF1

Como citar e referenciar este artigo:
NOTÍCIAS,. Servidoras do Judiciário não precisam restituir ao erário quantias indevidamente percebidas de boa-fé decorrentes de interpretação equivocada de lei pela Administração. Florianópolis: Portal Jurídico Investidura, 2012. Disponível em: https://investidura.com.br/noticias/trf1-noticias/servidoras-do-judiciario-nao-precisam-restituir-ao-erario-quantias-indevidamente-percebidas-de-boa-fe-decorrentes-de-interpretacao-equivocada-de-lei-pela-administracao/ Acesso em: 28 fev. 2026